Repetir eleições custará 150 milhões. De onde virá o dinheiro?

Novo processo eleitoral não estava previsto no Orçamento de 2016, que as instituições europeias já diziam ser difícil de cumprir

O prazo para os partidos chegarem a acordo para a formação de governo em Espanha está a chegar ao fim e há já quem faça contas ao que está para vir. Segundo o ABC, repetir as eleições menos de seis meses depois das de 20 de dezembro, que resultaram num Congresso fragmentado, vai custar 150 milhões de euros ao estado espanhol. Uma verba que não está prevista no Orçamento e que obrigará a um Retificativo. Resta saber se o dinheiro virá de cortes orçamentais noutras áreas ou se será preciso um crédito, aumentando o gasto público e o défice.

De acordo com o jornal espanhol, o Orçamento para 2016 só previa 22,2 milhões de euros para eleições, por causa das autonómicas na Galiza e no País Basco. Mas se os eleitores tiverem de voltar a eleger um Congresso, diante da impossibilidade de se conseguir uma maioria para eleger um primeiro-ministro, será preciso pelo menos cem milhões para a organização, além de outros 50 milhões (ou até mais) em subvenções que são entregues aos partidos.

A fatura poderá até ser mais elevada, segundo o ABC. É que, por exemplo, as eleições de 20 de dezembro custaram em organização 130 milhões de euros (incluindo 55 milhões em gastos de pessoal, 12,5 milhões em logística, 13 milhões em telecomunicações e 50 milhões em serviços prestados pelos correios. E, nas eleições de 2011, as subvenções aos partidos (mais de 21 mil euros por cada eleito, além de 0,81 cêntimos por voto no Congresso e 0,32 por cada um no Senado) chegaram aos 65 milhões.

O problema é que o Orçamento para 2016, que foi aprovado em outubro e previa um défice fiscal de 2,8%, já tinha sido considerado difícil de cumprir por parte das instituições europeias. Estas alertavam que o futuro governo teria de proceder a mais ajustes se quisesse que o valor ficasse abaixo do objetivo de 3% - e a última previsão é que chegue a 4%. Resta saber que impacto terá a nova conta eleitoral, caso se confirme que será necessário que os espanhóis voltem às urnas a 26 de junho.

"Poucas esperanças" do PSOE

Os socialistas insistem que ainda há tempo para evitar a realização de novas eleições, apelando ao Podemos para que mude de atitude e aceite negociar. Contudo, o secretário de Política Federal do PSOE, Antonio Prada, admitiu ontem que tem "poucas esperanças" de que a formação de Pablo Iglesias recue na sua decisão de não viabilizar o acordo entre socialistas e Ciudadanos.

O Podemos está num processo de escutar as bases sobre esse acordo, assinado entre Pedro Sánchez e Albert Rivera, com o núcleo duro do partido a fazer campanha pelo não e a insistir que a solução passa por um governo de esquerdas. "É uma pena que Pedro Sánchez tenha sido encerrado numa jaula e que não lhe tenham permitido explorar a via de um governo progressista e que, de alguma forma, tenha ficado encerrado nessa jaula em que o Ciudadanos o mantém sequestrado", disse Iglesias, que não põe de lado um diálogo com a Esquerda Unida, de Alberto Garzón, para uma coligação nas novas eleições.

O líder socialista exige que o Podemos escolha entre "ser partido de oposição ou de governo". À Telecinco, Sánchez disse entender que o primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, não apoie o acordo entre PSOE e Ciudadanos, "que é uma emenda à totalidade dos quatro anos do PP". O que não entende, acrescentou, "é que Iglesias diga que não e trave a mudança".

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