Reencontro coreano, agora de supetão

Um mês depois, lideres do Norte e do Sul voltam a encontrar-se na zona desmilitarizada, com cimeira dos EUA em fundo

Em mais um desenvolvimento surpreendente no dossiê norte-coreano, no qual não faltaram sorrisos e abraços, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, reuniram--se ontem na zona desmilitarizada. Hoje de manhã em Seul - madrugada em Lisboa - Moon Jae-in dará uma conferência de imprensa para revelar pormenores sobre o encontro, que foi visto como um passo para convencer Kim a realizar a cimeira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"O presidente Moon Jae-in realizou uma segunda reunião com o presidente Kim Jong-un em Tongil-gak, no lado norte-coreano de Panmunjom, das 15.00 às 17.00 do dia 26 de maio", divulgou a assessoria de imprensa da presidência sul-coreana. Ao contrário da anterior reunião dos dois coreanos, que decorreu há quase um mês, 27 de abril, os media não foram avisados, pelo que as únicas informações e imagens são dos serviços de comunicação dos dois Estados. "Os dois líderes trocaram as suas opiniões sinceras sobre a aplicação da Declaração de Panmunjom de 27 de abril e o desbloqueio com sucesso da cimeira Coreia do Norte--EUA", concluiu o comunicado sul--coreano.

Os dois líderes abraçaram-se no final da reunião, o que será uma indicação de um resultado positivo das conversações, que terão sido focadas na cimeira de Jong-un com Trump.

Fotos e vídeos da reunião divulgadas pela Casa Azul (a residência oficial sul-coreana) mostram que Moon estava acompanhado por Suh Hoon, diretor dos serviços secretos. Já Kim estava acompanhado por Kim Yong-chol, o general encarregado dos serviços secretos, mas também do departamento das relações intercoreanas.

As imagens mostram ainda Moon a apertar a mão à irmã de Jong-un, Kim Yo-jong. Tal como Yong-chol, a filha de Kim Jong-il teve um papel importante na reaproximação com o Sul. Em fevereiro, ao deslocar-se aos Jogos Olímpicos de Inverno, tornou-se o primeiro elemento da dinastia Kim a pisar solo do país com o qual ainda está tecnicamente em guerra.

Altos e baixos

Primeiro aviso
> Pyongyang cancela conversações com Seul no dia 15 e adverte que cimeira com EUA pode estar em causa. Motivo? "O provocador tumulto militar" (manobras) conjuntas dos EUA e da Coreia do Sul.

Segundo aviso
> No dia 24, a vice-ministra Choe reage às declarações "estúpidas e ignorantes" do vice-presidente Mike Pence e pergunta onde se dá o encontro, se numa sala de reuniões ou num confronto nuclear. No mesmo dia, Trump cancela o encontro devido à "hostilidade aberta" dos norte-coreanos.

Volte-face
> Menos de 24 horas depois, em resultado de um comunicado conciliatório de Pyongyang, o presidente dos Estados Unidos afirma que ambas as partes têm vontade de realizar a cimeira e que até pode acontecer no dia 12 de junho.