Rangel: "Maduro ficou mais isolado, Guaidó jogou em alto risco"

O eurodeputado afirma que se Juan Guaidó voltar à Venezuela corre o sério risco de ser preso. Rangel não acredita numa intervenção externa e admite que a repressão possa crescer.

O eurodeputado português Paulo Rangel, que assistiu ontem aos confrontos na fronteira da Colômbia com a Venezuela, afirma ao DN que o evoluir da situação venezuelana é "muito imprevisível". Ainda em Bogotá, o também vice-presidente do PPE tem a convicção de que com a violência de sábado "Maduro ficou mais isolado" perante a comunidade internacional, mas admite que o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, "jogou em alto risco".

Para Paulo Rangel, o facto de Maduro ter bloqueado a entrada da ajuda humanitária no país "já era expectável", mas a "violência desproporcional" com que mandou agir nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil mostraram ao mundo com "mais clareza" o que se passa no regime venezuelano.

O eurodeputado, que esteve reunido com o presidente interino em Cucutá, na sexta-feira passada, considera que Juan Guaidó fez uma "jogada de alto risco" ao deslocar-se à Colômbia e ao ter procurado mostrar que liderava a operação de ajuda humanitária internacional", que foi mal-sucedida.

"Ganhou capital político internacional, mas teria ficado mais protegido se não tivesse ido à Colômbia", afirma Rangel, que, sublinha, terá agora de pensar muito bem os passos seguintes. "Se regressar à Venezuela, o risco de ser preso é muito grande" porque "Maduro continua a controlar o aparelho policial e militar." A outra hipótese, diz, é Maduro nada fazer para desvalorizar a força política de Guaidó.

"[Guaidó] ganhou capital político internacional, mas teria ficado mais protegido se não tivesse ido à Colômbia."

A eventual prisão de Guaidó reforçaria ainda mais a sua visibilidade internacional e a pressão sobre Nicolás Maduro, mas Rangel lembra que todos os opositores do presidente venezuelano - por exemplo, Leopoldo López e Enrique Capriles - sempre que foram presos "perderam força política". O eurodeputado e cabeça-de-lista do PSD às europeias diz que é um "fenómeno muito venezuelano " e muito ao contrário do que costuma acontecer noutros regimes e com outras oposições

Apesar da imprevisibilidade da situação naquele país, Paulo Rangel considera pouco provável o cenário de uma intervenção externa. "Uma coisa é a pressão externa diplomática", que admite poderá até levar a "um aumento de repressão" no país.

Guaidó anunciou no Twitter que irá pedir formalmente à comunidade internacional que mantenha "abertas todas as opções para conseguir a libertação" do país.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, respondeu que "todas as opções estão sobre a mesa" para "garantir que a democracia prevalece" na Venezuela e avisou que Washington "vai tomar medidas" após os distúrbios registados sábado. Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Josep Borrel, avisou imediatamente que a Espanha não apoiará uma intervenção militar estrangeira na Venezuela e assegurou que nem todas as soluções sobre a mesa ajudam a encontrar uma saída para esta crise.

Para já, nesta segunda-feira, o autoproclamado presidente interino da Venezuela vai participar na cimeira do Grupo de Lima, em Bogotá, "para discutir possíveis ações diplomáticas" contra o regime de Maduro. Cimeira em que estarão também todos os chefes da diplomacia da região e também o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, para discutir possíveis ações diplomáticas.

Paulo Rangel admite que a comunidade internacional, com particular destaque para os Estados Unidos, o Canadá e países da América Latina, está a dar grande apoio a Juan Guaidó, o que representa uma pressão brutal sobre o regime de Maduro.

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