Rajoy e Sánchez de acordo sobre Catalunha: referendo é inaceitável

Último encontro entre o primeiro-ministro espanhol e o líder do PSOE datava de 29 de agosto do ano passado

O primeiro-ministro espanhol e o líder da oposição socialista, Mariano Rajoy e Pedro Sánchez, concordaram ontem em declarar inaceitável o referendo convocado para o dia 1 de outubro pelo chefe do governo autónomo catalão Carles Puigdemont. Esse foi o dado mais relevante a sair da reunião de duas horas e meia, a primeira entre os dois políticos no espaço de quase um ano (a última foi a 29 de agosto de 2016).

"Há uma coincidência substancial sobre esta questão", disse aos jornalistas em Madrid o ministro que é porta-voz do governo do PP, Íñigo Méndez de Vigo, sublinhando que, a partir de agora, Rajoy e Sánchez manterão "um contacto permanente" para falar da questão que é "a violação sistemática da Constituição e das leis" por parte da Generalitat. "A mensagem que se pretende transmitir agora é que este simulacro de referendo carece de base legal", sendo, por isso, "inaceitável".

Do lado do PSOE, Sánchez deixou "a mensagem clara" de que "o PSOE está sempre a favor da defesa da legalidade e da Constituição", disse a porta-voz do partido no Parlamento. Margarita Robles precisou: "Nenhum partido democrático pode apoiar que se passe por cima das leis e dos princípios básicos do Estado de direito." Porém, o secretário-geral dos socialistas pretende que haja diálogo e que Rajoy reúna com Puigdemont, para procurar um consenso.

Segundo esta responsável, durante o encontro a dois, o primeiro-ministro espanhol não "referiu, em momento algum, a aplicação do artigo 155.º", o qual poderia permitir suspender a autonomia da Catalunha. Sánchez e o seu partido não são a favor da ativação desse artigo da Constituição espanhola. O secretário-geral dos socialistas recomenda também contenção nas declarações para que nada seja entendido como uma provocação contra os catalães.

A 9 de junho, Puigdemont, apoiado na maioria independentista que domina atualmente o parlamento autonómico, anunciou a realização de um referendo sobre a independência da região para 1 de outubro. A pergunta que pretende colocar aos catalães e a todos os estrangeiros com autorização de residência na Catalunha é: "Quer que a Catalunha seja um Estado independente em forma de república?" Apesar de todas as reticências que existem em relação à legalidade, o governo autónomo catalão garante e sublinha que o resultado da consulta será vinculativo.

O objetivo de Rajoy é travar a realização do referendo, contando, para isso, com o apoio do PSOE e do Ciudadanos. Com a sua génese na Catalunha, este último partido nasceu da oposição à ideia da independência. Ontem, o seu líder, Albert Rivera, anunciou que chegou a acordo com o executivo de Rajoy e os deputados do seu partido aprovarão as contas do governo para 2018. Em troca, conseguiu que os chamados mileuristas, ou seja, quem ganha por ano até 14 mil euros, fiquem isentos de IRS. Quem ganhar menos de 17 500 euros também terá redução de impostos.

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