Líderes partidários já votaram e apelaram à participação

Mais de 36,5 milhões de eleitores vão hoje às urnas para escolher um novo governo em Espanha

O presidente do governo espanhol e candidato pelo PP, Mariano Rajoy, apelou hoje os espanhóis para irem às urnas votar nas eleições gerais, num dia marcado por incêndios florestais nas Astúrias (Norte de Espanha). Rajoy, que votou ao lado da sua mulher, Elvira Fernández, reiterou que "votar é o ato mais democrático de todos".

"O único que podemos esperar de uma jornada como esta - e o que todos desejamos - é que participe o maior número de pessoas possível, porque se trata de uma decisão muito importante, na qual toda a gente vota livremente e com suficiente conhecimento de causa", declarou Mariano Rajoy após depositar o voto na sua assembleia eleitoral no distrito de Aravaca (Madrid)

O presidente do Governo - que referiu a tranquilidade das primeiras horas da jornada eleitoral - revelou que o executivo está atento aos numerosos incêndios que têm afetado principalmente a zona das Astúrias.

Rajoy afirmou que tem havido boa colaboração entre o governo central e as administrações regionais e que está à espera de saber as causas destes incêndios, para depois determinar se há responsabilidades criminais.

Que ninguém fique em casa

Também o socialista Pedro Sánchez já exerceu o direito de voto. "Estamos numa jornada histórica, cheira a mudança e, honestamente, creio que precisamos de governos que pensem na maioria dos espanhóis. Por isso, que ninguém fique em casa", disse, num apelo ao voto.

Sánchez falava em Pozuelo de Alarcón (município de Madrid), após ter votado.

Questionado sobre se não ganhar as eleições será uma derrota para o PSOE, Sánchez evitou a pergunta, afirmando que os espanhóis decidem hoje, com o seu voto, "o futuro, não apenas dos próximos anos, mas sim das próximas gerações".

Ainda assim, mostrou-se esperançado que "ocorra essa mudança de rumo que Espanha precisa e que tanto pede a maioria dos espanhóis".

"Camaradas, vamos lá ganhar", disse Pedro Sánchez aos representantes do seu partido na Assembleia de Voto do Centro Cultural Volturno, em Pozuelo de Alarcón.

Nunca aconteceram mudanças com uma participação baixa

Também o candidato do Ciudadanos, Albert Rivera, apelou a todos os espanhóis para que votem em massa, afirmando que "têm de participar" se quiserem mudar Espanha. "Nunca aconteceram mudanças com uma participação baixa", disse Rivera, mostrando-se convencido de que "Espanha vai mudar esta noite, aconteça o que acontecer, ganhe quem ganhe".

"Hoje é um dia importantíssimo para a democracia espanhola (...). Estamos a viver momentos históricos, uma segunda Transição democrática, uma nova era", destacou o presidente do Ciudadanos pouco depois de votar Colégio Santa Marta de L'Hospitalet de Llobregat (Barcelona).

Os cidadãos vão dar uma lição de democracia

O candidato do Podemos à presidência do Governo espanhol, Pablo Iglesias, reafirmou hoje ao votar que Espanha "está a viver uma nova Transição" e mostrou-se convencido de que a história do país vai mudar com estas eleições gerais.

Pablo Iglesias foi recebido à chegada à assembleia de voto do liceu Tirso de Molina, no bairro de Vallecas (Madrid), com gritos de "Presidente!" e o "grito de guerra" do seu partido: "Sim, podemos! (Sí, se puede)".

Após votar, Iglesias desejou "a máxima participação" nesta votação, que representa "um antes e um depois" para a democracia espanhola, disse.

Iglesias - que votou acompanhado pelo seu número 2 e diretor de campanha do partido, Íñigo Errejón, e uma das secretárias de coordenação, Irene Montero - afirmou que não está nada nervoso, porque o Podemos "tem a sensação de ter feito corretamente o trabalho de casa".

"Os cidadãos vão dar uma lição de democracia", disse Iglesias, acrescentando que "nestas eleições todos os votos contam".

Mais de 36,5 milhões de eleitores vão hoje às urnas para escolher um novo governo em Espanha, umas eleições das quais sairá a necessidade de acordos pós-eleitorais para formação do Executivo, ou seja, o fim do bipartidismo entre o PP e o PSOE.

Na votação, que decorre entre as 9:00 e as 20:00 (menos uma hora em Lisboa), os espanhóis vão eleger os 350 deputados do novo parlamento (Congresso dos Deputados) em 52 circunscrições. Serão depois estes a escolher o presidente do Governo, que até ao momento em Espanha sempre saiu da força mais votada.

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