Rainha de Inglaterra pede "pontos em comum" e é lido como apelo sobre Brexit

Isabel II pediu aos britânicos "pontos em comum" e que "respeitem pontos de vista diferentes", o que foi lido como um apelo indireto para que se entendam sobre o Brexit.

Num discurso sobre os 100 anos Sandringham Women's Institute em Norfolk, a rainha de Inglaterra fez um apelo aos britânicos para que se entendam. Os analistas imediatamente associaram as suas palavras à crise do Brexit e à nova discussão que vai decorrer na próxima semana no parlamento britânico sobre o acordo de saída da Grã-Bretanha da União Europeia.

Os deputados rejeitaram o acordo proposto pela primeira-ministra Theresa May na semana passada e se não se entenderem a Grã-Bretanha sairá da UE dia 29 de março sem acordo. É nesse sentido, que o correspondente da BBC, Nicholas Witchel considerou que há poucas dúvidas sobre as palavras da rainha. "É impossível imaginar que o chefe do Estado usasse uma construção de palavras como esta sem que elas fossem vistas como uma referência ao atual debate político", disse o jornalista.

A rainha, como chefe de Estado, deve permanecer neutra em questões políticas e geralmente não expressa os seus pontos de vista sobre questões controversas. Isabel II não fez nenhuma referência explicita ao Brexit, mas afirmou: "À medida que procuramos novas respostas na era moderna, eu, pelo menos, prefiro as receitas experimentadas e testadas, como falar bem um com o outro e respeitar pontos de vista diferentes; unir para procurar o terreno comum".

As declarações da rainha acontecem quando Theresa May deve voltar à Câmara dos Comuns, a 29 de janeiro, com uma espécie de plano B para o Brexit, depois de o inicial ter sido rejeitado pelos deputados numa derrota histórica a 15 de janeiro. Os deputados propuseram um conjunto de alterações, entre as quais o adiamento da saída a 29 de março. Isto porque há o temor que sem um acordo a Grã-Bretanha saia de forma desordenada, causando problemas graves nos portos e nas empresas.

A fronteira da Irlanda continua a ser um problema central nas discussões do Brexit, com uma solução que seja aceitável quer para britânicos e europeus, quer para os unionistas e republicanos na Irlanda do Norte. Todos defendem uma solução em que não exista uma fronteira física entre as duas partes Theresa May tem repetido a ideia de uma fronteira é "inconcebível". Ora os deputados pediram também uma alteração no sentido de conquistar os que são pró-Brexit com prazo para o backstop, uma espécie de "apólice de seguro" no acordo de retirada destinado a assegurar que não haverá uma fronteira visível entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

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