Que segredos de Trump estão nos cofres do Deutsche Bank?

Banco alemão disse à justiça norte-americana ter declarações de impostos que o presidente dos EUA recusa divulgar.

O teor das declarações de impostos do presidente Donald Trump ainda estará longe de ser conhecido, mas a confirmação dada terça-feira pelo Deutsche Bank (DB) de que tem alguma dessa informação voltou a agitar o universo político dos EUA.

Em rigor, segundo o New York Times, a informação que o Congresso e a imprensa procuram conhecer há quase três anos não estará no documento entregue pelo DB a um tribunal de recursos dos EUA - tornado público com várias partes censuradas - mas no conjunto de outros dados acumulados ao longo dos anos de relação comercial entre o banco alemão e Donald Trump.

Donald Trump tem recusado divulgar as suas declarações de impostos, quebrando uma tradição de décadas entre os candidatos presidenciais à Casa Branca bem como as suas próprias promessas de o fazer - com os seus adversários políticos e muitos observadores a admitirem que os documentos desmentirão a alegada fortuna de milhares de milhões de dólares (ou euros) que o presidente dos EUA diz ter, assim como revelar alegadas ligações a magnatas russos.

O DB tornou-se o único banco nas últimas duas décadas a conceder empréstimos a Donald Trump, depois de sucessivos negócios falhados - e respetivas declarações de falência - do empresário nova-iorquino terem provocado perdas de centenas de milhões de euros às instituições que o tinham financiado.

Saber como é que Trump obteve a sua fortuna, quem foram os seus fiadores, quais os termos dos empréstimos concedidos pelo DB e se fez ou não negócios com empresários russos são algumas das informações financeiras, de natureza pessoal e empresarial, que o New Yprk Times diz estarem guardadas nos cofres do banco alemão - conhecido pelas suas ligações à Rússia (incluindo operações de lavagem de dinheiro).

Duas comissões do Congresso norte-americano intimaram o DB a fornecer registos financeiros relativos a Donald Trump, que recorreu aos tribunais para impedir o banco - e outras entidades - de divulgar essa informação.

Dimensão do património imobiliário, nível de rendimentos e rede empresarial são três das áreas que estarão muito bem documentadas nos registos do DB, incluindo ainda informação relativa ao seu genro, empresário e conselheiro, Jared Kushner.

Embora Trump tenha negado sistematicamente ter quaisquer relações comerciais ou financeiras com empresários russos, a confirmação de que Moscovo interferiu nas últimas eleições norte-americanas para o beneficiar e as múltiplas situações de defesa ou aberta promoção dos interesses de Vladimir Putin - incluindo na última reunião do G7 - acentuaram a necessidade dos democratas - e da imprensa - em conhecer as declarações de impostos do presidente dos EUA.

O valor dos empréstimos concedidos pelo DB a Donald Trump desde 1998 ultrapassa os 2,5 mil milhões de dólares (2,25 mil milhões de euros), mas até agora não surgiram provas de envolvimento do governo russo, empresas ou indivíduos ligados a Moscovo nessas operações.

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