Putin teme "histeria militar" em torno da Coreia do Norte

Kim Jong-un ameaça enviar "mais presentes" aos EUA. Trump autoriza venda de equipamento militar à Coreia do Sul e ao Japão

A Coreia do Norte está preparada para enviar "mais presentes" aos Estados Unidos, alertou ontem Han Tae Song, embaixador de Pyongyang junto da ONU em Genebra, dias depois de o seu país ter levado a cabo mais um teste nuclear, o sexto. "As recentes medidas de autodefesa tomadas pelo meu país são um "presente" endereçado aos Estados Unidos", declarou Han. "Os Estados Unidos irão receber mais "presentes" do meu país enquanto se basearem em provocações imprudentes e tentativas fúteis de pressionar a República Popular Democrática da Coreia", continuou.

O diplomata referiu ainda que as medidas militares tomadas pela Coreia do Norte são um "exercício de coibição e um direito à autodefesa justificado" para combater a "ameaça nuclear e política hostil crescente da última década dos EUA que visa isolar o meu país". "Pressões ou sanções nunca irão funcionar no meu país", avisou Han, deixando claro que Pyongyang "nunca, sob nenhuma circunstância, irá colocar a sua força nuclear na mesa das negociações".

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos anunciou ontem, através do Twitter, que vai autorizar a venda de "equipamentos militares altamente sofisticados" ao Japão e à Coreia do Sul, países vizinhos do regime de Pyongyang.

O exército sul-coreano realizou ontem, pelo segundo dia consecutivo, exercícios militares com fogo real e está a planear mais manobras conjuntas com os Estados Unidos durante esta semana, o que poderá incluir o destacamento de porta-aviões nucleares em águas próximas da península coreana.

O presidente russo disse ontem que a aplicação de novas sanções contra Pyongyang será "inútil e ineficaz", prevendo uma "histeria militar" em torno da Coreia do Norte, que "pode levar a uma catástrofe planetária". "A Rússia condena estes exercícios" da Coreia do Norte, "mas o recurso a seja que sanções for é, neste caso, inútil e ineficaz", afirmou Vladimir Putin, à margem de uma cimeira dos países BRICS. O Kremlin anunciou ontem que o presidente russo vai encontrar-se hoje com o seu homólogo sul-coreano, Moon Jae-in, à margem de um fórum na Rússia.

Nikki Haley, a embaixadora dos EUA junto da ONU, reconheceu ontem que a aplicação de mais sanções não irá provavelmente mudar a política do país, mas cortará fundos para o seu programa nuclear. Anteontem, Haley afirmou que Kim Jong-un está a "implorar por uma guerra" e disse querer que o Conselho de Segurança vote na segunda--feira a imposição das "mais duras possíveis" sanções ao regime de Kim Jong-un.

Para que estas sanções sejam aprovadas é preciso que nenhum dos cinco membros permanentes usem o seu poder de veto. Um deles é a Rússia, tendo ontem o seu embaixador junto da ONU, Vassily Nebenzia, dito que essa votação era "um pouco prematura".

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, falaram ontem e concordaram que a aplicação de sanções devem ser aceleradas. Os dois acreditam que um aumento da pressão sobre Pyongyang deverá deixar o seu regime mais disposto a aceitar uma solução pacífica.

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