Putin denuncia "caráter agressivo" da nova estratégia de segurança dos EUA

O documento de Trump declarava a Rússia, assim como a China, uma potência rival que procura desafiar o poder dos EUA e minar a segurança e prosperidade do país

O Presidente russo, Vladimir Putin, condenou hoje o "caráter agressivo" da nova estratégia de segurança nacional de Washington, criticando, entre outros aspetos, a proliferação de infraestruturas da NATO e dos Estados Unidos na Europa.

Esta "estratégia de defesa tem sem dúvida um caráter ofensivo, se falarmos em linguagem diplomática. Mas se passarmos para os termos militares, [a estratégia] tem sem dúvida um caráter agressivo", disse o chefe de Estado russo, durante uma reunião com responsáveis do exército russo, transmitida em direto na televisão pública.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apresentou na segunda-feira o seu primeiro documento de estratégia de segurança nacional.

No documento, o líder norte-americano declarou a Rússia, a par da China, como potência rival que procura desafiar o poder dos Estados Unidos e minar a segurança e prosperidade do país.

"Não são apenas palavras (...), [a estratégia] é apoiada por ações concretas e por um financiamento", reforçou Putin.

A estratégia da administração Trump foi apresentada depois de o Congresso norte-americano ter aprovado, em finais de novembro, despesas militares na ordem dos 700 mil milhares de dólares (cerca de 590 mil milhões de euros) para o ano fiscal de 2018.

No mesmo encontro com as chefias militares, Putin criticou a proliferação de infraestruturas "ofensivas" da NATO e dos Estados Unidos no continente europeu.

"Os sistemas antimísseis podem ser transformados a qualquer momento em sistemas de mísseis de médio alcance", disse o Presidente russo, observando que "tudo isso reduz significativamente o nível de segurança na Europa e no mundo".

"Temos o direito soberano e todas as possibilidades para reagir de forma adequada e oportuna a tais potenciais ameaças", advertiu Vladimir Putin, destacando que as forças nucleares russas estão atualmente num nível que "permite garantir uma forte dissuasão nuclear".

Mesmo assim, Putin declarou que a Rússia deve assumir o papel de "líder absoluto" na criação de um exército de nova geração para assegurar a soberania do país e uma política exterior independente.

"A Rússia deve estar entre os países líderes e, em certas áreas, deve ser um líder absoluto na criação de um exército de nova geração", concluiu.

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