Puigdemont renucia a presidir à Generalitat e propõe Jordi Sànchez

Ex-presidente da Generalitat fez o anúncio da renúncia num vídeo divulgado nas redes sociais. E apresenta queixa contra Espanha no comité dos Direitos Humanos da ONU.

Carles Puigdemont anunciou hoje que renuncia a ser candidato à presidência da Generalitat, depois de o Parlamento catalão ter votado hoje uma moção que denunciava a sua destituição como "ilegal e ilegítima". O ex-presidente da Generalitat indica que o Junts per Catalunya vai propor para o cargo o número dois da lista, Jordi Sànchez, que está detido em Madrid.

"Hoje informei o presidente do Parlamento da Catalunha [Roger Torrent] que de forma provisória não apresente a minha candidatura a ser investido presidente da Generalitat e pedi-lhe que se inicie o mais rapidamente possível a ronda de contactos entre os diferentes grupos parlamentares para proceder à eleição de um novo candidato para ser investido", indicou Puigdemont, anunciando que o candidato do Junts será Jordi Sànchez.

"Jordi representa provavelmente como ninguém os valores do Junts per Catalunya. E é um homem de paz. E é um homem injustamente detido", defendeu Puigdemont, no vídeo de mais de 13 minutos. Jordi Sànchez está em prisão preventiva há mais de quatro meses em Madrid, acusado de sedição nos protestos prévios ao referendo independentista de 1 de outubro.

O ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã reagiu no Twitter ao apoio de Puigdemont. "É uma grande honra e uma enorme responsabilidade poder representar o povo da Catalunha. O presidente Puigdemont, o vice-presidente [Oriol] Junqueras [também detido] e todos os consellers destituídos pelo 155.º são o verdadeiro governo legítimo da Catalunha. Sempre com vocês!", escreveu no Twitter.

O ex-presidente da Generalitat, que se autoexilou em Bruxelas para evitar ser interrogado pela justiça espanhola após a declaração unilateral de independência, justifica a sua decisão pelo facto de "nas atuais condições esta é a forma para se poder veicular um governo o mais rápido possível".

O Tribunal Constitucional tinha decidido que Puigdemont não podia ser investido à distância e só podia sê-lo indo presencialmente ao Parlamento, pedindo primeiro autorização ao juiz Pablo Llarena, do Supremo Tribunal, que o investiga por sedição, rebelião e peculato na organização do referendo de 1 de outubro e consequente declaração unilateral de independência.

A nova ronda de contactos de Torrent com os partidos deverá ter início na próxima semana.

"Sei que o caminho é longo e cheio de dificuldades", afirmou Puigdemont. "Agora Madrid não terá nenhuma desculpa para continuar com a ocupação das nossas instituições. Nenhuma desculpa para que Madrid ignore a nossa voz", acrescentou, referindo-se ao artigo 155.º da Constituição espanhola, que foi acionado após a declaração de independência e que supôs a suspensão da autonomia das instituições catalãs.

Na terça-feira, quando já corriam rumores que Jordi Sànchez seria a solução proposta por Puigdemont, o ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, disse contudo que é "difícil" pensar num presidente autonómico que esteja "na prisão".

Puigdemont anunciou também que uma equipa de advogados apresentou uma queixa em seu nome contra o Estado espanhol diante do Comité de Direitos Humanos na ONU.

"Não nos renderemos, não abandonaremos, não renunciaremos enquanto os argumentos sejam a violência, a imposição, o medo e a violência de direitos fundamentais", acrescentou o ex-presidente da Generalitat.

Puigdemont anunciou ainda que vai convocar os membros do Parlamento da Catalunha para uma "reunião solene" para poder estabelecer o "Conselho da República"; para que "lidere o caminho para a independência efetiva".

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