Puigdemont quer transição rápida se o "sim" ganhar

Primeiro-ministro Mariano Rajoy voltou a apelar para que o presidente da Generalitat desista dos seus planos independentistas

A imagem de unidade entre Madrid e Barcelona por causa dos atentados de há duas semanas, dissipou-se nos últimos dias com o presidente da Generalitat a insistir que o referendo independentista vai mesmo realizar-se a 1 de outubro. Ontem, Carles Puigdemont deu mais um passo em frente e defendeu uma "transição curta" se o "sim" à independência da Catalunha sair vitorioso. O primeiro-ministro Mariano Rajoy respondeu, pedindo para que abandonem os planos "de rotura, divisão e radicalismo".

"O nosso compromisso em celebrar o referendo de autodeterminação é absoluto. Estamos determinados a autodeterminarmo-nos", declarou ontem Puigdemont em entrevista ao El Nacional.cat. "Gostaríamos todos, acredito que é no interesse de todos, que seja uma transição curta, muito debatida e muito negociada, mas curta", acrescentou o líder catalão, referindo-se ao cenário em que o "sim" sai vencedor.

"Há aspetos que devem ser trabalhados com muita calma, que serão trabalhados em comissões conjuntas ou tripartidas, com a UE, o Estado espanhol, a Catalunha. Mas vamos fazer isso, vamos", esclareceu na mesma entrevista.

Sobre a possibilidade do governo tentar impedir a realização da consulta - Mariano Rajoy já avisou que irá recorrer ao Tribunal Constitucional quando o Parlamento da Catalunha aprovar a lei do referendo -, Puigdemont afirma que esta é uma questão que o preocupa, mas que não é a sua prioridade. "De qualquer forma, acredito que o dia 2 de outubro, aconteça o que acontecer, seja qual for o resultado, as coisas terão mudado muito. E que a posição do Estado espanhol será insustentável, seja qual for o resultado", referiu o presidente do governo da Catalunha.

Apesar destas certezas e garantias, Carles Puigdemont mostrou-se disposto a adiar o referendo se Mariano Rajoy se mostrar disponível para discutir os termos do mesmo. "Se o presidente Rajoy estiver interessado em falar, as portas estão abertas. E se eu tiver que ir a Madrid, então vou a Madrid, mas no momento não acredito que isso aconteça".

Sobre a colaboração entre o governo de Espanha e da Catalunha na resposta aos atentados - ontem o balanço de vítimas mortais subiu para 16, com a morte de uma alemã -, Puigdemont afiançou que ele e Mariano Rajoy têm "estado em contacto estes dias e a comunicação tem sido direta e fluida".

Em reposta à entrevista de Puigdemont, Mariano Rajoy pediu ontem ao presidente da Generalitat para que "renuncie aos seus planos de rotura, divisão e radicalismo". "O referendo é a última coisa que a maioria da sociedade catalã quer neste momento", prosseguiu o primeiro-ministro espanhol, que desde os atentados tem apelado diariamente a uma Espanha unida.

Mas caso o governo catalão avance com o referendo, Rajoy deixou, mais uma vez, bem claro que fará tudo para impedir a sua realização. "Nas nossas mãos está defender a soberania nacional, a Constituição e a legalidade da Catalunha", declarou o primeiro-ministro. "Não tenham a menor dúvida que assim fará o governo de Espanha".

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