PSOE adia congresso. Díaz deve disputar liderança com Sánchez

Escolha do secretário-geral dos socialistas deverá ocorrer só depois das possíveis novas legislativas, a 26 de junho

Marcar uma data definitiva para o congresso do PSOE no qual será oficializada a nova liderança do partido parece ser uma tarefa tão complicada como Espanha ter finalmente governo. Ontem ficou-se a saber que a reunião magna dos socialistas já não será a 21 e 22 de maio e que a intenção será esperar até à realização de novas legislativas, previstas para 26 de junho. Pedro Sánchez é recandidato a secretário-geral, mas tudo indica que irá enfrentar a sua maior rival interna, a presidente da Andaluzia, Susana Díaz. Nesse sentido, a comissão permanente da executiva federal reúne-se hoje e deverá marcar para sábado um encontro do Comité Federal, o órgão máximo do partido entre congressos, para oficializar a nova data.

"A data de celebração do congresso será uma decisão partilhada por todos e deverá contar com o apoio maioritário de todos os líderes do Partido Socialista", antecipou Sánchez a 6 de março em entrevista ao El Mundo. "A minha proposta será adaptar o ritmo do partido ao ritmo de Espanha. O PSOE deve respeito acima de tudo aos espanhóis, mas, insisto, será uma decisão tomada por todos", acrescentou o líder socialista na mesma ocasião, dando a entender que não se importava com uma mudança da data do congresso.

Tecnicamente, o 39.º congresso do PSOE deveria ter-se realizado em fevereiro, quatro anos depois de Alfredo Pérez Rubalcaba ter ganho a liderança a Carme Chácon. No entanto, este plano foi posto de lado devido à instabilidade política saída das eleições legislativas de 20 de dezembro. Mas também a tensões internas entre Pedro Sánchez e os barões do partido, encabeçados por Susana Díaz.

O ponto máximo deste clima de tensão ocorreu na reunião de 30 de janeiro do Comité Federal do PSOE, com várias federações regionais, encabeçadas pela Andaluzia, a obrigarem contra a vontade da direção nacional - que preferia junho -ao adiamento das diretas para 8 de maio, nas quais os militantes votam para a eleição do secretário-geral, e do congresso para os dias 21 e 22 do mesmo mês. Motivo não oficial: Díaz achava que em maio poderia disputar a liderança do PSOE com Sánchez, que deveria estar então com a sua posição debilitada dentro do partido.

Política ambiciosa

Mas agora, escrevia ontem o El Mundo, "o cenário mudou" para Susana Díaz, que quer evitar desafiar já Sánchez e passar uma imagem de política ambiciosa disposta a prejudicar as negociações de alianças governamentais de só para conseguir chegar a secretária-geral do PSOE. O mesmo jornal adianta que a andaluza prefere esperar pelo fracasso dos potenciais pactos e surgir como a única pessoa capaz de salvar o partido.

Por agora a posição oficial do PSOE da Andaluzia é a da discrição. O secretário de Organização dos socialistas andaluzes, Juan Cornejo, garantiu ontem que iriam esperar as explicações da direção do partido e das restantes federações regionais e que será Susana Díaz quem confirmará, ou não, as suas aspirações à liderança. Mas aproveitou para dizer que acha "lógico e normal" que dentro do PSOE se "olhe" e "fale" da líder dos socialistas andaluzes como uma opção para dirigir o partido.

Fontes críticas dentro do Comité Executivo socialista disseram ontem à agência EFE que "seja lá quando for" o 39.º congresso Pedro Sánchez enfrentará um adversário.

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