Promessas do Reino Unido sobre o brexit não convencem os 27

Países da UE querem saber quanto é que britânicos vão pagar por compromissos assumidos e reúnem-se hoje já sem Theresa May

Os líderes europeus reúnem-se hoje em Bruxelas, sem a presença de Theresa May, para analisar as propostas do Reino Unido no que toca ao acordo do brexit. Os 27 pedem a Londres que traduza a "boa vontade" em "ações concretas", para que seja possível levar as negociações para uma nova fase.

A primeira-ministra britânica chegou ontem a Bruxelas convicta de que a promessa de uma solução para os residentes europeus no Reino Unido seria um impulso para as negociações de saída. Mas as promessas de um "plano ambicioso nas próximas semanas" não convencem os líderes do bloco.

"Os últimos desenvolvimentos são encorajadores mas não o suficiente para começar a segunda fase", afirmou a chanceler alemã, sintetizando o pensamento dominante entre os 27. Angela Merkel admitiu, porém, que as negociações de um acordo comercial "possam começar em dezembro". Ontem, May, Merkel e o presidente francês, Emmanuel Macron, foram filmados a conversar os três, à margem da cimeira, mas não se percebeu o que diziam.

O primeiro-ministro holandês ironizou sobre uma das matérias que continuam "pouco claras" e que é um dos pilares das negociações. Mark Rutte referia-se ao montante que deverá ser cobrado a Londres, pelos compromissos assumidos com a União Europeia. "As estimativas variam de 20 mil milhões a 60 mil milhões de euros", para liquidar compromissos com projetos de apoio ao desenvolvimento. "Preferia que fosse apresentado um montante, para podermos negociar sobre isso. Os britânicos devem ser muito claros em relação à fatura de saída."

A fronteira Irlanda-Irlanda do Norte é outro ponto fundamental nas negociações, sobre o qual se exige mais clareza. "Não basta dizer que não quer certos resultados, é preciso explicá-los", disse o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, mostrando que a impaciência que tomou conta dos funcionários da UE com a pasta do brexit alastrou a algumas capitais.

Desde o discurso de Florença, em que Theresa May pediu que fosse dado um período de dois anos de transição para o brexit, funcionários europeus queixaram--se de falta de documentação concreta, da parte do Reino Unido, para trabalharem.

O presidente do Parlamento Europeu, António Tajani, congratulou-se com a abordagem de Florença mas considerou que "pelo menos, de momento, os progressos realizados foram insuficientes", aguardando-se "uma resposta clara do Reino Unido".

Hoje, o negociador-chefe da Comissão Europeia para a pasta do brexit, Michel Barnier, vai informar o Conselho Europeu sobre o andamento das negociações, reforçando a ideia de que ainda não se progrediu tanto como seria já neste momento desejável.

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