Problemas de saúde, casamento polémico ou tensão com governo? Rei da Malásia abdica

Eleição para encontrar o sucessor do rei Muhammad V, que abdicou após apenas dois anos no trono, vai ser no dia 24 de janeiro.

Depois de dois meses de licença médica e do alegado casamento com a miss Moscovo de 2015, o rei Muhammad V anunciou este domingo que vai abdicar do trono da Malásia. É a primeira vez que tal acontece nos 60 anos de independência do país, não tendo sido apontadas razões para esta decisão e havendo ainda rumores de tensões com o primeiro-ministro.

O rei, de 49 anos, tinha assumido o cargo há apenas dois anos. A Malásia é uma monarquia constitucional e o monarca, que é eleito entre as nove casas reais do país (oriundos de nove dos 13 estados do país que têm líderes hereditários, a maioria sultões), por um período de cinco anos, tem um cargo que é principalmente cerimonial.

O seu sucessor será escolhido a 24 de janeiro, segundo a agência de notícias oficial Bernama, que revela que seis líderes das nove famílias estiveram reunidos esta segunda-feira para escolher a data (um dos sultões não esteve presente por estar doente, outro por estar no exterior e o terceiro é o próprio rei Muhammad). O sucessor assumirá oficialmente o trono a 31 de janeiro.

A abdicação do rei surge depois de este ter regressado ao trabalho, no final de uma licença médica de dois meses (nunca se deram explicações em relação à sua saúde). Em finais de novembro, surgiram fotografias nas redes sociais que pareciam indicar que casou na capital russa com Oksana Voevodina, que foi eleita Miss Moscovo em 2015 e se terá convertido ao islão em abril do ano passado. O palácio nunca confirmou o casamento.

Também havia rumores de tensões entre o monarca e o governo do primeiro-ministro Mahathir Mohamad, que regressou em maio de 2018 ao cargo que já tinha ocupado entre 1981 e 2003. Mas desta vez à frente da oposição, que derrotou a coligação que governou a Malásia desde a independência do Reino Unido, em 1957.

Em junho, houve um impasse entre o governo e o palácio de quase duas semanas em relação ao plano de nomear alguém que não é do grupo étnico maioritário malaio enquanto procurador-geral do país. O rei acabou por aprovar a nomeação de Tommy Thomas, o primeiro não malaio e não muçulmano, apesar de o incidente ter originado tensões étnicas.

"A sua majestade diz ao povo da Malásia para continuar unido e a manter a união, tolerância e em trabalhar juntos", segundo um comunicado do palácio, indicando que o monarca estava "preparado para regressar a casa ao estado de Kelantan".

Nazrin Shah, sultão de Perak, que esteve interinamente à frente do reino durante a licença médica de Muhammad V, continuará no cargo até à escolha do sucessor.

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