Primeiro-ministro australiano admite erros na gestão dos incêndios florestais

Morreu mais um bombeiro nos incêndios da Austrália, elevando para 27 o número de mortes por causa dos fogos que fustigam o país desde 2019.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morisson, admitiu este sábado que podem ter sido cometidos erros na gestão dos incêndios florestais que estão a arrasar o país e que lhe têm valido fortes críticas. "Há coisas que se poderia ter gerido muito melhor no terreno", reconheceu o primeiro-ministro numa entrevista à cadeia pública de televisão ABC, em que anunciou uma investigação pública sobre a resposta aos incêndios.

O pedido de desculpas do primeiro-ministro chega depois de na sexta-feira milhares de pessoas se terem manifestado em várias cidades da Austrália para pedir a sua demissão e exigir ao Governo mais meios para lutar contra as alterações climáticas e contra os incêndios florestais, dos quais já resultaram 28 mortos e milhares de casas calcinadas.

Morrison, que se negou a relacionar a crise climática com o agravamento dos incêndios florestais, tem sido objeto de críticas nas últimas semanas. O primeiro-ministro conservador foi criticado por ir de férias sem avisar para o Hawai, Estados Unidos, em plena crise antes do Natal e durante as suas visitas às zonas afetadas foi mal recebido pelas populações, designadamente com insultos.

Em relação às políticas para enfrentar os efeitos da crise climática, Morrison afirmou durante a entrevista que "o Governo continuará com os seus esforços para alcançar os objetivos" de redução de emissões. "Nos próximos anos, vamos continuar a desenvolver a nossa política neste domínio para reduzir ainda mais as emissões [de gases com efeito de estufa], o que faremos sem aumentar os preços da eletricidade e sem fechar as indústrias tradicionais" de carvão, declarou.

Desde que começaram, em setembro passado, os incêndios arrasaram uma superfície de mais de oito milhões de hectares, equivalente à da Irlanda, e calcula-se que até mil milhões de animais selvagens tenham morrido, enquanto continua a época seca e de incêndios.

27 mortos

Um bombeiro de 60 anos morreu este sábado no combate a um incêndio no sudeste da Austrália, elevando para 27 o número de pessoas mortas desde o início dos gigantescos fogos no país. O homem morreu ao ser atingido por uma árvore "quando trabalhava num incêndio nos arredores de Omeo", declarou o chefe dos bombeiros dos serviços florestais do estado de Victoria, Chris Hardman.

Depois de vários dias críticos devido às altas temperaturas, na próxima semana está previsto um clima mais frio que poderia dar uma trégua aos bombeiros que lutam contra os devastadores incêndios em todo o país.

O ano de 2019 foi o mais quente e o mais seco na Austrália desde que existem dados. O dia de 18 de dezembro último foi o mais quente de sempre, com uma média nacional de temperaturas máximas de 41,9 graus.

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