Primeiras nomeações de Trump levam fações rivais para a Casa Branca

Ex-presidente dos republicanos Reince Priebus e fundador do Breitbart News, Steve Bannon, são primeiros nomeados de Trump.

Reince Priebus, um advogado que fez toda a carreira no Partido Republicano do Wisconsin até chegar à presidência nacional da formação representa como ninguém o establishment que Donald Trump desafiou durante toda a campanha. Steve Bannon, o fundador do site de notícias Breitbart News, conhecido pelos conteúdos racistas e acusado de antissemitismo, é o melhor exemplo do lado mais populista da direita americana. Ao escolher o primeiro para chefe de gabinete e o segundo para estratega e principal conselheiro, o presidente eleito provou que está disposto a levar para dentro da nova Administração duas fações rivais dos republicanos.

Em comunicado, Trump, que no dia 20 de janeiro sucede a Barack Obama na Casa Branca, garantiu que "Steve e Reince são líderes altamente qualificados que trabalharam bem juntos na nossa campanha e nos levaram à vitória. Agora vou ter ambos comigo na Casa Branca a trabalhar para fazermos a América grande outra vez".

Se a escolha de Priebus, de 44 anos e próximo do presidente da Câmara dos Deputados Paul Ryan, parece não estar a levantar questões, o mesmo não se pode dizer de Bannon, de 62 anos. Suspeito de ser próximo do grupo de extrema-direita alt-right, da corrente nacionalista branca e de sectores antissemitas, o empresário dos media começou a trabalhar na campanha de Trump em agosto. A sua transição agora para a futura Administração gerou uma onda de indignação entre grupos judaicos e em políticos tanto democratas no próprio Partido Republicano.

Para Adam Jentleson, porta-voz de Harry Reid, o líder da minoria democrata no Senado, "é fácil perceber porque é que o Ku Klux Klan vê Trump como o seu campeão quando Trump nomeia um dos maiores promotores de temas e da retórica dos supremacistas brancos como um dos seus principais assessores". E Jonathan Greenblat, da Liga Anti-Difamação, garantiu que "é um dia triste quando um homem que chefiou o primeiro site do alt-right, um grupo solto de nacionalistas brancos, antissemitas e racistas, é escolhido para ser um alto responsável na "casa do povo"".

Curiosamente, uma das primeiras pessoas a saírem em defesa de Bannon foi o próprio Priebus. O futuro chefe de gabinete de Trump foi ao programa Good Morning America da ABC News, garantir que o homem que o homem que acusam de antissemitismo, racismo e apoio aos supemacistas brancos "não é o Steve Bannon que eu conheço", sublinhando que o criador do Breitbart News é "uma pessoa muito, muito inteligente".

Segundo o Washington Post, ao escolher Priebus e Bannon para a sua equipa, Trump está a tentar obter o melhor de dois mundos. O novo chefe de gabinete pode ajudar o presidente eleito a conseguir o apoio do Congresso - dominado pelos republicanos - e a melhorar a sua relação com o aparelho do partido. Isto depois de o milionário se ter apresentado durante a campanha como o candidato anti-establishment, com vários líderes republicanos a recusarem dar-lhe o seu apoio. O próprio Paul Ryan foi um dos mais reticentes.

Já Bannon deverá continuar a ser a outra voz na cabeça de Trump, reforçando o lado mais populista e combativo do presidente eleito - ou não estivéssemos a falar de um antigo oficial da marinha que fez depois carreira no banco de investimento Goldman Sachs.

Quanto a uma parceria Priebus-Bannon, um responsável republicano citado pelo site Politico definiu-a como "uma equipa de rivais ou os jogos da fome"

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