Primeira mulher a comandar a guarda de Isabel II é neta de açorianos

Megan Couto, canadiana de 24 anos, diz-se honrada por comandar a guarda da rainha por ocasião das celebrações dos 150 anos do Canadá, um dos 15 países da Commonwealth de que a monarca é chefe de Estado.

Veio para Londres com a responsabilidade de tratar de assuntos administrativos e coordenar transportes, mas acabou a comandar um batalhão de cerca de 40 soldados canadianos a quem, até dia 3, compete assegurar a guarda da rainha Isabel II.

Ao DN, a capitã Megan Couto - cujos avós eram de São Miguel, nos Açores - disse que a sua função, enquanto segunda figura hierárquica do seu regimento, é a de assegurar o comando "apenas caso o major fique doente ou não tenha possibilidade de liderar a companhia". Por isso, foi com surpresa quando o major "voluntariamente" lhe deu a oportunidade de comandar a guarda da rainha, algo que aceitou "com toda a humildade", disse.

Megan Couto tornou-se assim a primeira mulher oficial de infantaria a comandar a guarda da rainha de Inglaterra. Até julho do ano passado, as mulheres estavam proibidas de servir em unidades de combate do Exército britânico - infantaria e cavalaria - pelo que nenhuma mulher oficial de infantaria tinha até agora desempenhado a função de liderar os soldados responsáveis pela segurança das residências reais.

A unidade da capitã Couto, o Segundo Batalhão de Infantaria da Princesa Patrícia, chegou ao Reino Unido no início de junho, tendo feito a sua primeira rendição da guarda em frente ao Palácio de Buckingham no dia 18. Mas só no dia 26 é que Megan Couto assumiu o comando.

A missão do regimento em Londres foi o culminar de "várias semanas de preparação que começaram ainda no Canadá. Membros da infantaria britânica foram lá para nos dar formação acerca de como executar funções cerimoniais e isso foi fundamental", esclareceu.

Foi a segunda vez na história que o Segundo Batalhão de Infantaria da Princesa Patrícia teve a oportunidade de executar funções de guarda real, tendo a última vez sido em 1998. A capitã Couto esclareceu, porém, que a sua unidade não é uma "uma unidade cerimonial" mas sim uma "unidade de terreno. Nós fazemos exercícios e treinos e somos enviados para vários locais, por isso a maior parte dos soldados da unidade nunca tinha participado numa cerimónia destas. Foi feito um convite ao Exército canadiano, por ocasião das celebrações dos 150 anos do Canadá, e esse convite acabou por chegar à minha unidade", explicou.

Prestes a terminar a missão na capital britânica, a capitã afirma que "tudo correu conforme o planeado". O seu regimento tem assumido a responsabilidade de garantir a guarda, enquanto sentinelas, de locais emblemáticos como o Palácio de Buckingham, o Palácio de St. James, a Torre de Londres e o Castelo de Windsor.

A capitã explicou ao DN que "estes sítios não são só residências reais, são locais de trabalho para elementos da família real e muitos funcionários (...) e quando a rainha está nalgum destes locais, nós duplicamos a nossa presença".

Os guardas reais são um ícone britânico e o render da guarda em frente ao Palácio de Buckingham é uma cerimónia à qual milhares de pessoas fazem questão de assistir. Os soldados são mundialmente conhecidos pelo seu uniforme vermelho e chapéu preto feito com pele de urso e pela sua pose estática nas sentinelas do palácio. Ainda assim, apesar do seu papel quase "decorativo", estes homens são soldados altamente treinados e preparados para o combate.

Quando Megan Couto se alistou no Exército canadiano não fazia a "mínima ideia de que ia fazer parte de uma minoria, que ia ser uma das poucas mulheres oficiais". A militar diz que apesar de as carreiras militares no Canadá estarem abertas à participação das mulheres há cerca de cem anos, na realidade "ainda há poucas." De facto, de acordo com números oficiais do Ministério da Defesa do Canadá, atualmente, as mulheres representam pouco mais de 15% do efetivo militar.

Ainda assim, Megan realça que nunca se sentiu "diferente" e que tudo o que fez e conquistou foi sempre baseado na sua performance. "Quando o meu desempenho é bom, sou recompensada, ou dizem-me que aquele ataque foi muito bom, ou que aquele documento que enviei estava muito bem feito. Por isso, nunca me senti como minoria, sempre me viram como igual a qualquer outro oficial", enalteceu.

Militar há sete anos

O desempenho da função de comandante da Guarda Real, em Londres, valeu-lhe até os parabéns do ministro da Defesa do Canadá, Harkit Saiyan, que, na página oficial do ministério na internet realçou que Megan Couto "fez história" e destacou o "orgulho sentido pelas Forças Armadas canadianas pelo facto de serem líderes na defesa da igualdade e dos direitos das mulheres".

Megan Couto nasceu no Canadá em 1993 e tornou-se militar há sete anos. Completou uma licenciatura no Colégio Militar Real do Canadá, em Kingston, Ontário, pertencendo atualmente ao Regimento da Princesa Patrícia em Shilo, Manitoba.

O apelido Couto herdou-o do pai, natural de São Paulo, no Brasil. Ao DN, a capitã confessa que tem nome e sangue português. Os seus avós eram de São Miguel, nos Açores, e antes de emigrarem para o Canadá passaram pelo Brasil. "Tenho muito orgulho das minhas raízes, vou muitas vezes a restaurantes portugueses e até estou a aprender português", adiantou. "Eu ainda tenho muita família nos Açores e no Brasil. Infelizmente, não tenho tido oportunidade de a visitar, mas está nos meus planos. Hei de conseguir ir visitá-los."

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