Primeira-ministra escocesa recusa partilhar palco com Steve Bannon

Nicola Sturgeon desistiu de intervir na conferência News Exchange, em Edimburgo, depois de saber que Steve Bannon ia participar. Recusa "legitimar ou normalizar visões de extrema-direita e racistas", explicou

A primeira-ministra (first minister) da Escócia, Nicola Sturgeon, recusou participar na conferência internacional News Exchange, da qual a BBC é uma das organizadoras, depois de ter sido confirmada a presença no evento de Steve Bannon, antigo estratega principal do presidente norte-americano Donald Trump.

Numa declaração através do twitter, Surgeon - que até agora tem sido notícia sobretudo pela sua relutância em acompanhar o restante Reino Unido no Brexit -, explicou que, embora assumindo-se como uma "apaixonada" defensora da liberdade de expressão, as funções que desempenha não lhe permitem participar em qualquer processo que possa contribuir para "legitimar ou normalizar visões de extrema-direita e racistas".

A chefe do governo escocês não poupou críticas à BBC, lamentando que a estação pública a tenha colocado "naquela situação". E mais tarde voltou à carga, criticando a televisão por, num e-mail explicando a inclusão de bannon, o ter descrito como "uma pessoa poderosa e influente a promover um movimento anti elites". Para Sturgeon, esta forma de caraterizar pontos de vista "que muitos classificariam de fascistas" é o exemplo de normalização do discurso do ódio que quer combater.

A News Exchange, que decorre em Edimburgo, capital da Escócia, reúne jornalistas, editores e administradores de alguns dos principais órgãos de informação do planeta, bem como repórteres e realizadores independentes e algumas (raras) figuras não diretamente ligadas à comunicação social. Bannon, refira-se, foi no passado executivo de grupos de comunicação social.

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