Presidente finlandês acredita que migrantes ameaçam valores europeus

Sauli Niinistö defendeu no parlamento do seu país que Convenção de Genebra deve ser revista para acolher apenas os que realmente precisam

Para o presidente da Finlândia os milhares de migrantes que têm chegado à Europa estão a pôr em risco os valores do velho continente. Sauli Niinistö defendeu ainda que os tratados internacionais de asilo estão desatualizados.

Num discurso feito, ontem, na sessão de abertura da legislatura parlamentar, o governante sugeriu que se fosse escrita hoje a Convenção de Genebra seria mais restritiva, mas continuando a ajudar aqueles que realmente precisam de ajuda.

"A migração é um problema sério", referiu Sauli Niinistö. "A Europa, a Finlândia, a maneira ocidental de pensar e os nossos valores foram todos desafiados por este fenómeno. Esta é uma transformação profunda; há apenas uns anos estávamos a exportar os nossos valores e a olhar para eles como inquestionáveis, agora temos de pensar sequer se nós próprios conseguimos preservá-los."

O discurso do presidente finlandês assentou na base de que nem todos os migrantes que pedem asilo estão em risco. "O fluxo de imigração para a Europa e para a Finlândia é cada vez mais um caso de migração e não uma fuga de perigo imediato", disse. "Todas as estimativas indicam que o fluxo de pessoas vai aumentar este ano. Isto vai desafiar a capacidade das democracias ocidentais de ajudar e também põe à prova as próprias estruturas subjacentes à ideia da Europa".

Para evitar este problema, Niiniströ acredita que é preciso mudar as políticas de asilo. Atualizando convenções como a de Genebra, sobre a qual assenta a atual política europeia de asilo. Caso contrário, apontou o líder finlandês, qualquer um pode atravessar as fronteiras da Europa apenas por dizer a palavra asilo.

"Não há boas soluções. Temos que nos perguntar se queremos proteger os valores europeus e os europeus, e aqueles que estão verdadeiramente em risco, ou aplicar de forma inflexível os tratados internacionais sem olhar para as consequências."

Para Niiniströ a solução passa então por "salvaguardar a fundação dos valores europeus" e depois "ajudar aqueles que são perseguidos e precisam de ajuda. Neste momento, no entanto, não podemos ajudar aqueles que apenas procuram uma vida melhor ou que sentem que as circunstâncias e o futuro são difíceis no seu país natal".

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