Presidente do Quénia "discorda pessoalmente", mas respeita anulação das eleições

Uhuru Kenyatta criticou os juízes, afirmando que "seis pessoas decidiram ir contra a vontade do povo"

O presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, afirmou que "discorda pessoalmente" da decisão do Supremo Tribunal que esta sexta-feira anulou a sua eleição no mês passado, mas irá respeitá-la.

No entanto, Kenyatta criticou os juízes, afirmando que "seis pessoas decidiram ir contra a vontade do povo".

O presidente do Quénia falava esta sexta-feira ao país após o Supremo anunciar de manhã a sua decisão.

O Supremo Tribunal do Quénia anulou a reeleição de Uhuru Kenyatta, alegando irregularidades, sem atribuir responsabilidades ao Presidente ou ao seu partido, e convocou novo escrutínio para daqui a dois meses.

O candidato da oposição queniana às presidenciais, Raila Odinga, disse que esta sexta-feira é um "dia histórico" para o país "e por extensão para o povo de África".

"Pela primeira vez na história da democratização africana, foi tomada uma decisão por um tribunal anulando a eleição irregular de um presidente. Esta é uma decisão que estabelece um precedente", adiantou.

Kenyatta foi declarado vencedor no passado dia 11 de agosto, com 54,27% dos votos, contra 44,74% para Odinga, que aos 72 anos se candidatava pela quarta vez, depois de ter sido derrotado em 1997, 2007 e 2013.

O anúncio da vitória de Kenyatta desencadeou dois dias de protestos e motins reprimidos pela polícia, tendo sido mortas pelo menos 21 pessoas, entre as quais um bebé e uma menina de nove anos, segundo um balanço da agência noticiosa francesa France-Presse.

A organização Human Rights Watch estimou que o escrutínio foi "marcado por graves violações dos direitos humanos, incluindo assassínios ilegais e espancamentos pela polícia em manifestações e operações de busca em casas do oeste do Quénia".

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