Presidente de Taiwan afirma que ilha não vai ceder à pressão de Pequim

Taiwan acusou a China de prejudicar "a paz e a estabilidade" da região

A Presidente de Taiwan afirmou hoje, numa cerimónia militar, que a ilha não vai ceder "à pressão de Pequim", na sequência do corte de relações diplomáticas entre Taipé e a República Dominicana.

Neste sentido, o Gabinete da Presidência de Taiwan instou a China a "suspender de imediato" todas as ações que afetem negativamente as relações bilaterais e a paz e a estabilidade na região.

Taiwan acusou a China de prejudicar "a paz e a estabilidade" da região, num momento em que na península coreana se procura a reconciliação através do diálogo, de acordo com um comunicado.

O Governo não cederá à pressão de Pequim, e fará tudo o que é possível para salvaguardar os interesses da nação, defender a soberania e a dignidade da República da China (Taiwan)

Pequim está a aumentar a intimidação militar e a manipular a política de "uma só China" para obrigar Taipé a aceitá-la, e as suas ações "aumentaram as tensões no estreito de Taiwan", indicou a Presidência, o que na opinião das autoridades da ilha "não deve ser o comportamento de uma parte interessada responsável".

Taipé disse que "lamenta profundamente" a decisão da República Dominicana de reconhecer a China, mas não cederá à ameaça ou à pressão de Pequim.

"O Governo não cederá à pressão de Pequim, e fará tudo o que é possível para salvaguardar os interesses da nação, defender a soberania e a dignidade da República da China (Taiwan) e trabalhar com amigos da comunidade internacional para garantir a paz e a estabilidade regionais", segundo o comunicado.

Deputados da oposição e peritos afirmaram que a pressão diplomática chinesa vai continuar até que a Presidente Tsai rejeite o "consenso de 1992", o que significa aceitar que a ilha é parte da China.

"É de esperar que a China continue a conquistar aliados de Taiwan até que haja um sinal de mudança na posição da Presidente", disse a professora do Instituto da América Latina da Universidade Tamkang, Elisa Wang.

Outros especialistas consideraram que a China não vai lançar uma campanha para conquistar muitos dos 19 aliados diplomáticos de Taipé, mas poderá tentar que o Paraguai, ou outro país de maior importância económica ou estratégica, deixem de reconhecer Taiwan.

Em Taipé, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Wu, anunciou o fim das relações diplomáticas com a República Dominicana "para manter a dignidade nacional"

Nas últimas semanas, Taipé entregou ajuda à República Dominicana no valor de 29 milhões de euros, dois helicópteros, 90 camiões militares e 100 motociclos, para consolidar os laços bilaterais, lembrou na edição de hoje o diário Jinji Ribao.

Em conferência de imprensa, esta manhã, em Taipé, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Wu, anunciou o fim das relações diplomáticas com a República Dominicana "para manter a dignidade nacional" e "a suspensão imediata de todos os projetos de cooperação e ajuda".

O ministro atribuiu a responsabilidade pela rutura à China e às ofertas de "incentivos financeiros", promessas de investimento e ajuda ao país das Caraíbas, destinadas a levar ao corte diplomático com Taiwan.

Em Pequim, o chefe da diplomacia da República Dominicana, Miguel Vargas, anunciou o fim das relações diplomáticas com Taiwan, em conferência de imprensa, na presença do homólogo chinês, Wang Yi.

Ao mesmo tempo, o consultor jurídico do Governo dominicano, Flavio Dario Espinal, fazia o mesmo anúncio no palácio da presidência, em Santo Domingo.

Com esta rutura, Taiwan mantém apenas 19 aliados, dez dos quais na América Latina e Caraíbas

Dario Espinal disse que o Governo dominicano apoiava, a partir de agora, o princípio de "uma só China", passando a reconhecer Taiwan como parte do país.

Com esta rutura, Taiwan mantém apenas 19 aliados, dez dos quais na América Latina e Caraíbas.

Depois da vitória de Tsai nas presidenciais, Pequim interrompeu as negociações e contactos oficiais com Taipé, enviou navios e aviões militares para zonas mais próximas da ilha Formosa, e tem procurado isolar o Governo de Tsai

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe cortou as relações diplomáticas com Taipé e passou a reconhecer Pequim. Na mesma altura, o Presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu dar protagonismo à ilha, com um telefonema a Tsai Ing-wen, o que agravou o relacionamento entre Pequim e Taipé.

Depois da vitória de Tsai nas presidenciais, Pequim interrompeu as negociações e contactos oficiais com Taipé, enviou navios e aviões militares para zonas mais próximas da ilha Formosa, e tem procurado isolar o Governo de Tsai.

O Vaticano, único Estado europeu com relações diplomáticas com Taiwan, está a negociar uma aproximação com Pequim, o que pode resultar numa mudança de apoio.

O número de países que reconhecem Taiwan caiu consideravelmente nas últimas décadas, tendo permanecido estável apenas durante a governação de Ma Ying-jeou, nos últimos oito anos, quando as relações entre Pequim e Taipé entraram num período de desanuviamento sem precedentes.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a "reunificação pacífica", mas ameaça usar a força caso a ilha declare independência

A ilha escapa ao controlo do governo de Pequim desde 1949, data em que os nacionalistas do Kuomintang (KMT) ali se refugiaram depois de terem sido derrotados pelos comunistas, que fundaram, no continente, a República Popular da China.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a "reunificação pacífica", mas ameaça usar a força caso a ilha declare independência.

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