Presidente chinês presta homenagem ao fundador da China comunista Mao Zedong

Na terça-feira, Xi presidirá a uma parada militar que deverá exibir o moderno arsenal das forças armadas chinesas, incluindo o míssil Dongfeng 41, com capacidade nuclear e capaz de atingir qualquer parte do território norte-americano.

O secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, liderou hoje vários altos quadros do regime numa homenagem ao fundador da República Popular da China, Mao Zedong, nas vésperas da celebração do 70.º aniversário do regime.

Num gesto raro, Xi Jinping curvou-se três vezes perante a estátua de Mao, no mausoléu do ex-líder, que guarda o seu cadáver embalsamado, na Praça Tiananmen, em Pequim, desde a sua morte, em 1976.

Xi, que é também chefe de Estado, prestou ainda tributo no Monumento aos Heróis do Povo, nas proximidades, na véspera das festividades do Dia Nacional, que será marcado por uma parada militar no centro da capital chinesa.

As celebrações em todo o país visam destacar a enorme transformação da China, pobre e devastada pela ocupação japonesa, na Segunda Guerra Mundial, e subsequente guerra civil entre os comunistas e o anterior Governo nacionalista, na segunda maior economia do mundo.

Só nos últimos 20 anos, a riqueza per capita do país quadruplicou, num "milagre" sem precedentes na História moderna.

A China lidera agora em várias novas tecnologias, incluindo inteligência artificial ou redes de quinta geração (5G), enquanto a sua crescente influência militar e diplomática desafia cada vez mais a liderança dos Estados Unidos.

Na terça-feira, Xi presidirá a uma parada militar que deverá exibir o moderno arsenal das forças armadas chinesas, incluindo o míssil Dongfeng 41, com capacidade nuclear e capaz de atingir qualquer parte do território norte-americano.

A parada contará com a participação de 15.000 soldados e mais de 160 aeronaves.

No ano em que a República Popular da China ultrapassa em longevidade a União Soviética, e três décadas após a sangrenta repressão do movimento pró-democracia de Tiananmen, o regime parece mais estável do que nunca.

Xi recuperou expressões teatrais de amor ao Partido e ao Estado, que eram populares durante a governação de Mao (1949-1976), e apelou ao país para a realização do "sonho chinês" de ascensão no cenário internacional, enquanto reprime qualquer sinal de dissidência política.

Dentro do Partido, Xi lançou a mais ampla campanha anticorrupção na história da China comunista, resultando, até à data, na punição de mais de 1,5 milhão de funcionários, incluindo centenas de altos quadros e altas patentes do exército, e que antecedeu uma concentração de poder sem paralelo nas últimas décadas.

Em 2017, Xi Jinping aboliu o limite de mandatos para o seu cargo, criou um organismo com poder equivalente ao Executivo e Judicial - a Comissão Nacional de Supervisão -, para supervisionar a aplicação das suas políticas, e promoveu aliados a posições chave do regime.

A emenda constitucional significa uma reversão de normas implementadas por Deng Xiaoping, o arquiteto-chefe das reformas económicas que abriram a China ao mundo, e que assentaram a República Popular sobre uma base institucional e de procedimentos, evitando os excessos maoistas que quase destruíram o país.

Xi enfrenta ainda uma economia em desaceleração, o envelhecimento da população e uma guerra comercial contra o Presidente norte-americano, Donald Trump, que restringiu o acesso da China a tecnologia dos EUA e subiu as taxas alfandegárias sobre mais de metade das importações oriundas do país asiático.

Persistentes protestos antigovernamentais na região semiautónoma de Hong Kong, onde manifestantes e polícia entraram em confronto pelo segundo dia consecutivo, no domingo, constituem outro desafio para a liderança chinesa.

Os manifestantes planeiam novos protestos na terça-feira, apesar da proibição da polícia, o que representa um possível embaraço para Xi.

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