Comissão Eleitoral da Guiné-Bissau regista "pequenos incidentes que a polícia resolveu"

Presidente da Comissão Nacional de Eleições diz que, de um "modo global, o processo decorreu tranquilamente" em todo o território da Guiné-Bissau. Resultados provisórios serão anunciados na próxima quarta-feira.

A segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau "decorreu tranquilamente", tendo ocorrido "pequenos incidentes que a polícia resolveu". A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE). José Pedro Sambu disse à agência Lusa ter sido informado pela polícia da detenção de uma pessoa, em Bissau, na posse de um computador, com o qual, alegadamente, estaria a "tentar fabricar boletins de voto", e que houve também rumores de que existiriam boletins falsos na região norte do país, o que não se veio a confirmar após averiguação policial.

"São situações que foram tratadas ao nível da polícia", sublinhou o também juíz do Supremo Tribunal de Justiça, acrescentando que, numa avaliação global, o escrutínio decorreu com tranquilidade.

Mais de 760 mil guineenses foram chamados este domingo às urnas para escolherem o próximo presidente da Guiné-Bissau entre dois ex-primeiros-ministros: Domingos Simões Pereira, candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, candidato do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15).

Os resultados provisórios do escrutínio, segundo avançou ao final da tarde a porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Felisberta Vaz, serão anunciados na quarta-feira por aquele organismo.

As urnas fecharam às 17.00 horas.

"Pelas informações, a afluência é muito fraca em relação à primeira volta. As pessoas estão a ir a conta-gotas às assembleias do voto e isso preocupa-nos bastante", afirmou à Lusa o coordenador da célula da sociedade civil guineense para a monitorização do processo eleitoral, Rui Semedo, quando as urnas ainda não tinham fechado.

Horas antes, contudo, o chefe da missão de observação eleitoral da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) tinha falado numa mobilização de eleitores "forte". A votação "decorre normalmente como da última vez", afirmou Sumeylu Bubeye Maiga.

"Antes das 11:00 horas (mesma hora em Lisboa) já tínhamos perto de 50% de votantes, isto quer dizer que a sensibilização, mobilização das pessoas é forte", disse o antigo primeiro-ministro do Mali.

Simões Pereira "absolutamente tranquilo"

Domingos Simões Pereira, disse durante a manhã, após votar, que vai aguardar serenamente que a Comissão Nacional de Eleições o proclame o vencedor das eleições que diz serem a colocação do povo guineense no poder.

O candidato e líder do PAIGC votou no bairro de Luanda, em Bissau, acompanhado da esposa, Paula Pereira, e rodeado de dezenas de apoiantes.

Em exclusivo à Lusa, já de regresso a casa, Domingos Simões Pereira disse estar "absolutamente tranquilo" e que agora irá aguardar pela divulgação dos resultados.

"Exerci não só um direito, mas uma responsabilidade. É aquilo que eu espero que todo o povo guineense faça, para que no final a nossa vitória seja a expressão da vontade de povo, porque tal como dissemos durante todo o processo da campanha, é preciso colocar o povo no poder e eu acredito que a minha eleição será colocar, de facto, o povo no poder", afirmou.

O candidato quer ver os resultados publicados, o mais breve possível, mas pede que correspondam ao voto popular. Os resultados só são esperados no dia 1.

"Eu sou paciente. Eu vou aguardar que a Comissão Nacional de Eleições, sendo a única entidade competente para o efeito, nos diga quando estará em condições de apresentar os resultados. Obviamente, que o mais rapidamente melhor. Mas, mais do que rapidamente que sejam resultados que correspondem aquilo que é a vontade do povo guineense", observou Domingos Simões Pereira.

Sissoco Embaló convencido da vitória

O seu adversário, Umaro Sissoco Embaló, também se mostrou confiante de que vai vencer as eleições, mas afirmou que, se for derrotado, irá aceitar os resultados.

"Como sabem eu sou vencedor. Eu estou convencido, as eleições para mim são para ajudar a Guiné-Bissau e é para ajudar a Guiné-Bissau", afirmou aos jornalistas o candidato, salientando que estava bastante calmo.

Umaro Sissoco Embaló falava aos jornalistas num bairro em Bissau, depois de a sua mulher exercer o seu direito de voto. O candidato votou durante o período da manhã em Gabu, cerca de 200 quilómetros a leste da capital.

"Como não tenho compromissos, não tenho nada a pagar. Se Deus quiser que eu ganhe, eu ganho, se eu perder também vou aceitar os resultados, mas é uma coisa que é difícil, tendo em conta o apoio que tenho dos grandes candidatos e partidos", disse.

José Mário Vaz: "Que ganhe o melhor"

O presidente cessante da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, apelou aos guineenses para que fossem votar, dizendo esperar que a segunda volta das presidenciais decorresse sem "problemas".

"Acabei de exercer o meu direito de votar e faço um grande apelo a todos os guineenses, que façam o mesmo. Não devem ficar em casa, devem mostrar realmente que são guineenses", afirmou José Mário Vaz no centro de Bissau.

"Temos dois candidatos à Presidência da República, o poder é do povo e todos devem dirigir-se às assembleias de voto", reforçou. "Que ganhe o melhor. O poder é do povo e o povo é quem decide", indicou.

Já o primeiro-ministro Aristides Gomes falou da importância do voto para estabilizar o país. "A importância do voto é que sirva para estabilizar o nosso país e para nos ocuparmos do desenvolvimento, que é o objetivo fundamental e é o último objetivo", afirmou após ter votado

Segundo o primeiro-ministro guineense, é preciso que todos aprendam a "participar no processo eleitoral, porque é uma primeira fase no processo de desenvolvimento".

Aristides Gomes salientou também que o processo eleitoral da Guiné-Bissau demonstra que o país "tem um dos melhores sistemas eleitorais da zona".

"Nunca houve protestos fundados e, penso que desta vez será a mesma coisa, com argumentos sólidos e houve sempre uma certa regularidade", salientou.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG