Portugal alerta: frente Sul não deve ser encarada como "parente pobre"

Ministro português confirma que ajuda à França na luta contra Estado Islâmico envolve reforço de militares nas missões em África.

Enfrentar as ameaças que se colocam à NATO exige "indivisibilidade e solidariedade" entre os 28 países aliados em todas as fronteiras, afirmou ontem o ministro da Defesa português em Bruxelas.

Azeredo Lopes, que participava na sua primeira reunião ministerial da NATO, rejeitou a ideia de haver uma frente - a do Leste - mais importante do que outras, como a do Sul e para onde Lisboa há muito vem alertando a Aliança, disse ao DN fonte da delegação portuguesa.

A esse propósito, Azeredo Lopes afirmou perante os seus pares que os atentados terroristas de Paris e a ameaça crescente de organizações como o Estado Islâmico (EI) "confirmaram as nossas piores previsões". Mais, "temos sido solidários com o Leste e esperamos solidariedade para enfrentar as ameaças imediatas no Sul", frisou o ministro.

Aos jornalistas, no final do primeiro dos dois dias de reuniões na sede da NATO, Azeredo Lopes foi taxativo: "[A frente Sul] não é parente pobre quando a ameaça é tão poderosa, evidente e atual. Infelizmente, não preciso sequer de recordar o caso francês para percebermos que não há parentes pobres ou comparação de PIB. O que há é a noção de que a Defesa do século XXI é muito mais moderna e mais desafiante."

"A questão da chamada frente Leste não é dissociável da questão da frente Sul e Portugal acentuou bastante esse aspeto. Não é possível conceber uma Aliança Atlântica sem que, ao mesmo tempo, estas duas dimensões sejam consideradas na devida consideração" - pelo que deve evitar-se "entrar em comparações que seriam estéreis" porque esse "é um género de campeonato lamentável", insistiu Azeredo Lopes.

Sobre a luta contra o Estado Islâmico, tema de uma reunião específica no dia de hoje pelos ministros da NATO, Azeredo Lopes anunciou que Portugal vai reforçar pelo menos um dos seus contingentes envolvidos nas missões da UE em África (Mali e República Centro Africana). A proposta carece de parecer do Conselho Superior de Defesa Nacional e visa responder ao pedido de ajuda que a França fez aos membros da UE na luta contra o EI.

Note-se que a NATO analisa - e deve aprovar - hoje o pedido dos EUA para que apoie os países envolvidos na guerra contra o EI com os aviões AWACS (vigilância, alerta e controlo aéreos num raio de centenas de quilómetros). Estas aeronaves usam a rede de satélites militares e permitem ligar e trocar informação com os comandos militares em terra, mar e ar em tempo real.

Com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, a rejeitar que a Aliança participe em ações diretas de combate e a dizer que espera reunir-se esta semana com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, outro tema hoje em análise é o da eventual participação da NATO numa missão para lidar com a crise de refugiados no mar Egeu. A proposta, a debater hoje, foi feita pela Alemanha e a Turquia - mas a que a UE se opõe: "Veem alguma ameaça aqui? Estamos a lidar com seres humanos", alertou o comissário europeu das Migrações, o grego Dimitris Avramopoulos.

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