Porto Rico: governador nomeia sucessor antes de se demitir e causa nova polémica

Após semanas de protestos, Ricardo Rosselló sai esta sexta-feira. Pensava-se que a sucessora seria a ministra da Justiça, porque o país estava sem secretário de Estado que seria o segundo na linha da sucessão. Até esta quarta-feira.

O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, que aceitou demitir-se após semanas de protestos desencadeados pela divulgação de mensagens machistas e homofóbicas, nomeou esta quarta-feira um novo secretário de Estado, Pedro Pierluisi. Segundo a Constituição, será ele a suceder-lhe quando entregar a demissão, esta sexta-feira. Só há um problema. Membros do seu próprio partido não gostam da escolha.

Pierluisi foi o representante de Porto Rico em Washington entre 2009 e 2017 (tendo direito a um lugar na Câmara dos Representantes dos EUA, mas não direito de voto). É membro do Partido Novo Progressista (PNP), de Rosselló, e foi o responsável pela pasta da Justiça no governo do seu pai, Pedro Rosselló, que liderou os destinos da ilha de 1993 a 2001. O advogado pertence a uma firma que tem um papel de conselheira da Junta de Supervisão Fiscal, criada pelo governo federal dos EUA para manter a ilha (na bancarrota) sob controlo financeiro.

"Depois de muita análise e tendo em conta os melhores interesses do nosso povo, escolhi Pedro Pierluisi Urrutia para preencher a vaga de secretário de Estado. Para resolver o problema, vou convocar uma sessão extraordinária [do Congresso] para amanhã [quinta-feira]", escreveu Rosselló no Twitter.

Mas a escolha não agrada a todos, nem mesmo dentro do próprio partido (que tem a maioria no Congresso e no Senado). O presidente do Senado e líder em exercício do PNP, Thomas Rivera Schatz, anunciou que não apoia a nomeação de Pierluisi -- que tem que ser oficializada esta quinta-feira, pelo Congresso de Porto Rico -- por causa do seu trabalho para a firma de advogados que trabalha com a Junta de Supervisão Fiscal.

Quando Rosselló anunciou a saída, e uma vez que não havia secretário de Estado, disse que seria a responsável pela pasta da Justiça, Wanda Vázquez, a ficar com o cargo de governadora. Segundo a Constituição, é a terceira na linha de sucessão. Contudo, no domingo, e à medida que os protestos continuavam, esta disse que não tinha qualquer interesse em ocupar o cargo e que esperava que o governador nomeasse alguém para secretário de Estado.

O nome de Vázquez, de 59 anos, também não agradava aos manifestantes, que a consideravam demasiado próxima de Rosselló. Este só aceitou sair depois de 15 dias de protestos, com os porto-riquenhos a exigir nas ruas a sua demissão.

Em causa os problemas financeiros da ilha (território associado dos EUA), a forma como lidou com a destruição causada pelo furacão Maria, que oficialmente deixou quase três mil mortos (estima-se que o número real seja mais perto de 4700), as acusações de corrupção contra dois antigos funcionários e, como gota de água, a divulgação das mensagens de Telegram que Rosselló trocou com um grupo de conselheiros. Um deles o ex-secretário de Estado, Luis Rivera Marín, que se demitiu a 13 de julho.

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