"Porquê eu?", diz o ex-advogado de Trump antes de entrar na prisão

Foi advogado pessoal de Donald Trump, mentiu ao Congresso e passou de testemunha a réu. Michael Cohen colaborou com o procurador especial Robert Mueller, mas ainda assim começa hoje a cumprir pena na prisão.

O homem que trabalhou uma dezena de anos para Donald Trump entra hoje na prisão federal de Otisville, a cem quilómetros de Nova Iorque, para cumprir a pena de três anos. Apesar de ter reconhecido os crimes que cometeu - violação das leis eleitorais ao comprar o silêncio de duas antigas amantes de Donald Trump, fraude fiscal e falsas declarações ao Congresso - o advogado Michael Cohen sente-se uma vítima.

"Sou culpado de financiamento da campanha, com [Karen] McDougal ou a Stormy [Daniels], e levo três anos - a sério? E como é que eu sou o único? Eu não trabalhei para a campanha. Eu trabalhei para ele [Donald Trump]. E como é que eu sou o único que vai para a prisão? Não fui eu quem dormiu com a estrela porno", disse à New Yorker.

Michael Cohen, como advogado pessoal do homem de negócios, criou uma empresa para pagar do seu bolso 130 mil dólares à estrela de filmes pornográficos Stormy Daniels e à modelo da Playboy Karen McDougal, tendo sido mais tarde restituído com cheques assinados pelo próprio presidente e pelo seu filho, Trump Jr.

A legislação norte-americana exige que contribuições para a campanha eleitoral não podem ultrapassar os 75 mil dólares e têm que ser declaradas à comissão eleitoral - uma vez que os pagamentos tinham como objetivo ajudar na eleição de Trump.

Donald Trump poderá ter de responder à justiça quando sair da Casa Branca por este caso.

O advogado de Cohen, Lanny Davis, escreveu na sexta-feira que Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente, também devia ter ido para a cadeia, já que "ele assinou os cheques para silenciar" as ex-amantes.

Michael Cohen vai cumprir pena numa prisão com condições únicas no sistema prisional norte-americano. Em Otisville há uma ala de baixa segurança denominada "o campo", na qual os 120 reclusos, na maioria condenados de "colarinho branco", têm acesso a campos de ténis e de basquetebol e a uma biblioteca. Os judeus praticantes podem cumprir o chabat (o dia de descanso semanal hebraico) e alimentarem-se com comida cacher (que obedecem à lei judaica).

Cohen já disse que quer aproveitar a estadia no estabelecimento prisional para escrever livros sobre a sua história.

Alerta em caso de derrota de Trump

Quando regressou ao Congresso, Michael Cohen não poupou palavras a Donald Trump: "racista, vigarista e embuste". Mas além de ter dado pormenores sobre os negócios de Trump na Rússia ou sobre as ligações da campanha com a Wikileaks, o advogado de 52 anos, deixou um alerta: se Trump perder as eleições de 2020 "não vai existir uma transição pacífica de poder".

No domingo, a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, mostrou-se preocupada com esse cenário, e disse que temeu pelos resultados das eleições intercalares de 2018, caso a margem da vitória tivesse sido curta. "Ele teria envenenado a opinião pública e iria contestar cada uma das eleições", disse ao New York Times.

Como que a dar razão a quem teme pela ordem constitucional, Donald Trump retuitou uma mensagem do controverso Jerry Fallwell Jr. O presidente da universidade evangélica Liberty defendeu que o mandato de Trump deveria ser prorrogado dois anos como "reparação pelo tempo roubado" por um "golpe falhado e corrupto" - uma alusão às investigações ao presidente.

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