Político que nunca falou na Câmara dos Lordes mete despesas de 56 mil euros

O trabalhista David Brookman é um entre dezenas de elementos da câmara alta do parlamento britânico que, ao longo de um ano, não tiveram qualquer atividade mas apresentaram despesas de milhares de euros.

Um membro da Câmara dos Lordes britânica reivindicou quase 50 mil libras (56,6 mil euros) em despesas de assistência e de viagem, que cobrem todos os dias que a Câmara dos Lordes funcionou no ano passado, apesar de o referido elemento nunca ter falado ou ter feito qualquer pergunta escrita, revela uma investigação do jornal The Guardian.

Trata-se de David Brookman, ex-dirigente sindical e militante do Partido Trabalhista. Está entre dezenas de outros membros que não participaram num único debate, enquanto quase um terço dos 800 pares pouco participaram dos trabalhos parlamentares durante um período de 12 meses, apesar de custarem quase 3,2 milhões de libras (3,6 milhões de euros) em subsídios.

Os pormenores são revelados após uma análise de dados públicos que levanta novas questões sobre o tamanho e a eficácia da Câmara dos Lordes, e os fundos que podem ser reivindicados por aqueles que não participam regularmente.

A análise do The Guardian abrange as reivindicações de participação e subsídios de 785 membros que serviram durante um ano inteiro, entre 2017 e 2018. O grupo compreende 244 conservadores, 196 trabalhistas e 97 liberais democratas, bem como outros 248 elementos.

A Câmara dos Lordes é a câmara alta do parlamento do Reino Unido. Sendo um corpo não eleito, não tem um número determinado de membros, atualmente conta com 785 lordes. Os pares são nomeados principalmente pelo primeiro-ministro, mas há mais de 100 que são membros seniores do judiciário, bispos da Igreja da Inglaterra ou aristocratas que herdaram os assentos - há lugares hereditários e há outros vitalícios.

Os "lordes" desempenham um papel crucial no escrutínio da legislação do governo, mas os críticos há muito reclamam que a câmara está sobredimensionada, é anacrónica e ineficiente.

Simplesmente redundantes

Da investigação revelada pelo Guardian, verifica-se que 88 membros - cerca de um em cada nove - nunca falaram, ocuparam um cargo no governo ou participaram de algum comité. Quarenta e seis "lordes" não registaram um único voto, inclusive no Brexit, participam em comités ou ocupam algum posto. Um dos membros reivindicou 25 libras sem votar, enquanto outro reivindicou 41 mil, mas votou apenas uma vez. Mais de 270 pares reivindicaram mais de 40 mil em subsídios, com dois reivindicando mais de 70 mil.

A ex-lorde Frances D'Souza, defensora da reforma a longo prazo, disse que as revelações corroboram "o que toda a gente suspeita que está a acontecer", e que uma minoria de membros arrisca desacreditar o trabalho árduo dos seus colegas.

"Há claramente uma necessidade de reduzir os números", disse D'Souza, acrescentando que a investigação "mostra claramente que há pessoas que frequentam a Câmara dos Lordes que não estão a contribuir e, portanto, são simplesmente redundantes".

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