Político criticado por partilhar fotografia com Malala

Em causa está uma lei aprovada em junho que proíbe os funcionários públicos de usarem símbolos religiosos enquanto desempenham funções.

Jean-François Roberge, ministro da educação do Quebec, está a ser criticado por ter partilhado uma fotografia com Malala Yousafzai, ativista paquistanesa pelo direito à educação. Isto porque a vencedora do Nobel da Paz de 2014, que usa lenço na cabeça, não poderia ensinar naquela província do Canadá devido a uma lei aprovada recentemente.

Segundo a BBC, o Quebec aprovou uma lei polémica, em junho, que proíbe os funcionários públicos, nomeadamente professores, de usarem símbolos religiosos no trabalho.

No âmbito do encontro com a ativista paquistanesa, Jean-François Roberge contou que falaram sobre o acesso à educação e o desenvolvimento internacional.

Malala foi atacada por talibãs paquistaneses a 9 de outubro de 2012, tendo ficado entre a vida e a morte. Foi baleada por se atrever a ir à escola, pelo que, desde então, tem sido reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho na garantia do acesso das raparigas à educação.

A legislação que está no centro da polémica foi aprovada em junho e impede que os funcionários públicos em posições de "autoridade" usem símbolos religiosos como o quipá, o turbante ou o hijab enquanto desempenham as suas funções.

De acordo com a BBC, a nova norma abrange juízes, polícias, professores e algumas figuras públicas.

O projeto de lei provocou um debate aceso e protestos naquela província. Para os defensores da lei, esta é um passo razoável para garantir a separação entre o Estado e a Igreja. Já os críticos, consideram que, embora esta norma não separe nenhuma religião em particular, acaba por discriminar as mulheres muçulmanas que usam hijab ou outras coberturas na cabeça.

Em alguns comentários publicados na internet, Jean-François Roberge está a ser acusado de ser hipócrita por ter partilhado uma fotografia ao lado de Malala.

Questionado no Twitter sobre como responderia à ativista se esta quisesse ensinar em Quebec, o ministro da Educação defendeu a legislação: "Certamente dizia-lhe que seria uma honra imensa e que em Quebec, como acontece na França e em outros países abertos e tolerantes, os professores não podem usam símbolos religiosos no desempenho das suas funções".

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