Hollande: "escandalosa" ação dos manifestantes. Há 174 pessoas detidas

Presidente francês fala em "elementos perturbadores" na origem dos confrontos que obrigaram ao uso de usou gás lacrimogéneo

A polícia francesa carregou sobre algumas centenas de manifestantes que se juntaram este domingo na Avenue de la République, em Paris, em reação ao que o presidente francês classificou como uma ação "escandalosa" de "elementos perturbadores" que se infiltraram entre manifestantes.

"Sabemos que havia elementos perturbadores que não têm nada a ver com os que defendem o ambiente", declarou François Hollande em Bruxelas, à margem da cimeira da União Europeia com a Turquia. Foram atos "censuráveis, devo mesmo dizer escandalosos", acrescentou.

Na sequência dos confrontos entre a polícia e a multidão, 174 pessoas foram detidas e 208 identificadas, segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Inicialmente, a polícia confirmara apenas cinco dezenas de detenções.

Segundo Michel Cadot, chefe da polícia de Paris, não houve feridos nos incidentes."São pequenos grupos violentos que atacaram a polícia com projéteis, como velas, e até mesmo com uma bola de petanca", disse Cadot.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, já lamentou a violência contra as forças da ordem, pedindo respeito pela praça La République, em "memória das vítimas" dos atentados de 13 de novembro.

Conforme conta a imprensa francesa, as autoridades lançaram gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, que começou a atingir os agentes com objetos, nomeadamente sapatos e garrafas, pouco antes das 15:00 (menos uma hora em Lisboa). A polícia replicou com o gás e "entrincheirou" os manifestantes, cerca de 300, numa parte da avenida, de acordo com as imagens difundidas nas redes sociais, tentando concentrá-los depois na praça La République.

Recorde-se que as autoridades francesas tinham proibido as manifestações marcadas por ocasião da cimeira do clima da ONU, que começa esta segunda-feira em Paris, no seguimento dos atentados terroristas que provocaram a morte de 130 pessoas no passado dia 13 de novembro.

Os manifestantes, desafiando a proibição, foram sendo encaminhados para a praça La République, no coração da capital. Alguns reuniram-se em pequenos grupos, apelidando-se 'Anticop 21". Houve quem, na praça La République, tentasse arremessar aos polícias as flores e as velas ali colocadas, na espécie de memorial improvisado aos atentados de Paris, levando a que imediatamente outras pessoas formassem um cordão humano para proteção do local, conta a jornalista do Le Figaro que ali se encontra.

O Ministério do Interior francês anunciou entretanto que a estação de metro que serve aquela praça foi encerrada, por razões de segurança.

A marcha pelo clima, que estava agendada para hoje, foi cancelada. Em substituição, os manifestantes organizaram-se e enviaram para Paris alguns milhares de pares de sapatos, que cobrem este domingo a praça La République, numa ação simbólica de representação dos ambientalistas e cidadãos que se juntaram à causa.

Mais de 140 chefes de Estado e de governo vão estar na segunda-feira em Paris, na sessão de abertura da conferência que vai prolongar-se por duas semanas, para tentar chegar a um acordo com vista a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e conter a subida da temperatura média do planeta nos dois graus.

Manifestações pacíficas

Milhares de pessoas, entre parisienses e ativistas de todo o mundo, deram as mãos para formar um cordão humano ao longo do Boulevard Voltaire, em Paris, contra as alterações climáticas e a violência, segundo uma das organizações presentes.

"Juntamos as mãos contra a mudança do clima e a violência", refere Hoda Baraka, da 350.org, citada numa informação divulgada pela organização ambientalista. O cordão humano, assim como a iniciativa de colocar milhares de pares de sapatos no local onde iria realizar-se a marcha cancelada devido aos atentados realizaram-se sem acidentes, mas depois alguns manifestantes atiraram objetos à polícia que respondeu com gás lacrimogéneo.

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