Homem que esfaqueou várias pessoas nos subúrbios de Paris não estava sinalizado

Uma pessoa morreu devido aos esfaqueamentos do atacante em Villejuif, a sul da capital. A AFP fala em pelo menos quatro pessoas feridas, entre as quais dois agentes da polícia. Atacante foi abatido

Um homem foi morto a tiro por policias franceses ao início da tarde desta sexta-feira, depois de esfaquear transeuntes num parque nos subúrbios a sul de Paris.

O homem atacou "várias pessoas" num parque em Villejuif antes de ser "neutralizado", disse o departamento de polícia de Paris. Segundo a AFP, uma pessoa morreu e duas pessoas ficaram feridas, uma delas em estado na grave, e o agressor foi morto perto de um hipermercado quando seguia em fuga para L'Hay-les-Roses e se envolveu numa troca de tiros com a polícia, na qual dois agentes ficaram feridos.

Desconhecem-se as motivações do atacante, que "está a ser identificado" pelas autoridades. Algumas testemunhas ouviram o atacante gritar "Allah Akbar" [Alá é grande]. De acordo com fontes do Le Figaro, o agressor sofria de "distúrbios psicológicos", mas por outro lado foram encontros "objetos relacionados à religião" nos seus pertences. Sob a identidade de Nathan C., tratava-se de um jovem "conhecido por delitos comuns, mas desconhecido pelos serviços de informação".

A polícia aconselhou os cidadãos a evitarem a área devido a uma "intervenção em curso das forças de segurança".

Todos os acessos ao parque foram fechados. Polícia e bombeiros estão no local, assim como uma equipa especialista em minas e armadilhas, pois a polícia julgou ter detetado um colete de explosivos no atacante. Uma procurador da ação nacional antiterrorista também foi ao local e ainda está "em avaliação", disse fonte judicial ao Le Parisien.

Várias centenas pessoas que estavam no interior do hipermercado junto ao qual o atacante foi abatido permanecem confinadas ao local enquanto aguardam a autorização da polícia para sair. Depois de duas horas fechados na unidade comercial, os clientes receberam fatias de bolo-rei.

"O senhor que morreu era um homem idoso natural de Villejuif. Levou a facada enquanto defendia a sua mulher, que também ficou ferida. Tinha 56 anos. A cidade inteira está de luta", disse fonte da comitiva do prefeito local, citada pelo Le Parisien. A outra vítima é uma mulher de 30 anos, que sofreu ferimentos nas costas.

Em alerta desde 2015

França vive sob a ameaça constante de atentados, e este último acontece alguns dias antes do aniversário dos ataques jihadistas na redação da revista satírica Charlie Hebdo e num supermercado kosher a 7 e 9 de janeiro de 2015.

Em 2019, a justiça antiterrorista processou três casos de ataques: um ataque com faca, em março, a dois guardas penitenciários da prisão de Condé-sur-Sarthe (noroeste de França) por um detido radicalizado, Michaël Chiolo, um ataque à bomba em frente a uma padaria em Lyon em maio, que feriu 14 pessoas, e um ataque na sede da polícia de Paris a 3 de outubro.

Neste último ataque, a investigação ainda não conseguiu determinar oficialmente as motivações de Mickaël Harpon, um agente suspeito de radicalização, que esfaqueou quatro de seus colegas antes de ser abatido.

Se essas quatro vítimas forem incluídas, a onda de ataques na França fez 255 mortos desde o início de 2015.

No total, 60 ataques foram frustrados desde 2013, incluindo o último no final de setembro, segundo o Ministério do Interior.

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