Podemos limita salários e subsídios dos seus próprios deputados

Os deputados vão receber no máximo três salários mínimos, ou cerca de 1950 euros - os restantes deputados recebem 2813, fora subsídios e complementos

O órgão de direção do partido espanhol de esquerda Podemos aprovou este domingo, após mais de nove horas de reunião, um diploma que limita os salários dos deputados e os subsídios que recebem, e que os obriga a renunciar a certos privilégios. Os fundos a mais que resultam desta limitação vão para os cofres do partido ou para doações a caridades.

O salário dos deputados fica limitado a três salários mínimos, ou seja, cerca de 1950 euros, de acordo com o jornal El País, e os seus subsídios de alojamento ficam reduzidos a um máximo de 850 euros. Os deputados devem ainda renunciar a pensões para antigos parlamentares e a outros montantes como os 3000 euros mensais para táxis e o reembolso da ligação de Internet no domicílio.

O diploma aprovado pelo conselho cidadão do partido reflete o seu código ético, que está em vigor desde a eleição dos seus primeiros deputados para o Parlamento Europeu em 2014. O regulamento aplica-se "aos novos deputados eleitos" nas eleições de dezembro.

O Podemos obteve 69 lugares no parlamento espanhol nas eleições, embora nem todos pertençam a deputados do partido, havendo algumas candidaturas independentes ou em coligação em certas regiões.

Em outubro de 2015, o jornal espanhol ABC revelava que, embora o salário dos deputados segundo a constituição espanhola fosse 2813,87 euros brutos mensais, só 21 em 349 deputados se limitavam a essa quantidade. Até 318 deputados espanhóis recebiam complementos mensais altos por terem cargos adicionais, recebendo em média 5730 euros brutos por mês, 14 vezes por ano.

Em 2010, a remuneração dos deputados espanhóis foi reduzida em 10 por cento e congelada, no âmbito do programa de combate à crise económica, e assim se mantém desde então.

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