Podemos denuncia: PP planeia pôr Soraya no lugar de Rajoy

"Chegará o momento em que haverá uma mulher primeira-ministra aqui", diz Soraya de Santamaría, n.º 2 do governo, à revista "Yo Dona" do 'El Mundo'

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, acusou ontem o Partido Popular de preparar uma "Operação Menina" para que Soraya Sáenz de Santamaría, atual n.º 2 do governo, ocupe o lugar de primeira-ministra em vez de Mariano Rajoy. Isto para que os populares consigam o apoio do Ciudadanos de Albert Rivera para formar um governo em Espanha caso não obtenham maioria absoluta de deputados nas eleições legislativas de dia 20.

Sem filtro, igual a si próprio, o jovem líder da formação de esquerda radical e anti-austeridade, disparou contra os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, numa altura em que todas as sondagens apontam para o fim do bipartidarismo no país nestas eleições. O PP está, segundo ele, "a impulsionar uma Operação Menina, para que a primeira-ministra seja Soraya, apoiada por Albert Rivera. No PSOE, o seu líder, Pedro Sánchez, só está preocupado, garantiu, com o número de deputados que os socialistas vão conseguir eleger neste escrutínio para assegurar "que [a presidente da Junta da Andaluzia] Susana Díaz não lhe rouba a cadeira [da liderança do partido]".

O Podemos surge em quarto lugar nas intenções de voto dos eleitores espanhóis com 15,4%, segundo o barómetro de novembro do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) - que foi divulgado esta quinta-feira. O inquérito coloca o Ciudadanos em terceiro com 19% das intenções de voto, o PSOE em segundo com 20,8% e o PP em primeiro com 28,6%. Outras sondagens, porém, já chegaram a dar o Ciudadanos à frente do PSOE, o que tem deixado Sánchez com um nervosismo difícil de disfarçar. No dia 20 cerca de 36 milhões de eleitores são chamados às urnas e, na ausência de maioria absoluta clara para qualquer um dos partidos, todos fazem já nesta altura cálculos para ver que pactos poderia haver. Isto apesar de, oficialmente, a posição de todos os líderes seja a de pedir a vitória para a sua formação, dizendo que só ela está em condições de governar Espanha.

Tendo ou não razão Pablo Iglesias na acusação que lançou ao PP, a realidade é que Rajoy tem evitado aparecer muito na campanha, abrindo espaço para Soraya. O chefe do governo recusou por exemplo participar em debates a quatro com Sánchez, Rivera e Iglesias e apenas aceitou ir a um frente a frente com o líder do PSOE dia 14. Ao confronto televisivo de amanhã, da Atresmedia, o PP envia Soraya Sáenz de Santamaría, que ao longo destes quatro anos foi vice-primeira-ministra.

Numa entrevista intimista que deu este fim de semana à revista do 'Yo Dona', do 'El Mundo', Soraya defende o chefe do governo. "É muito fácil opinar a partir de fora. Mas é preciso governar. E o primeiro-ministro manteve a cabeça fria face aos que lhe diziam - "é preciso atuar e pedir o resgate já" - num momento de situação social complicadíssima e com o prejuízo que isso teria trazido para os pensionistas, desempregados, bem como para os serviços públicos básicos. Ele aguentou, mas, para alguns, isso era visto como inação", afirmou a política, que recebeu a jornalista da revista na Moncloa (palácio que é a residência oficial do primeiro-ministro de Espanha e onde ela tem o seu gabinete).

Na entrevista lembra como foi duro ser mãe apenas nove dias antes de o PP ganhar em 2011 e adrenalina que sentiu ao conciliar trabalho e maternidade. Contou com toda a ajuda do marido, que exerceu a licença de paternidade. Aos 44 anos Soraya faz parte da nova geração de políticos espanhóis, tal como Sánchez, Rivera e Iglesias. À revista daquele jornal confessou: "Chegará o momento em que haverá uma mulher primeira-ministra aqui, tal como noutros países. Não é porque sejamos diferentes, apenas os partidos têm outras dinâmicas. Mas é algo que pode acontecer a qualquer momento".

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