Piratas podem ter atacado navio comercial pela primeira vez desde 2012

"Navio-tanque foi atacado e desviado da sua rota". Responsável fala de "um cenário tradicional de ataque de piratas"

Um navio-tanque com bandeira do Sri Lanka foi atacado ao largo do Corno de África e desviado para a costa nordeste da Somália, no que parece ser o primeiro ataque da pirataria somali a um navio comercial desde 2012. Está ainda por confirmar a autoria do assalto hoje conhecido.

"O que podemos afirmar com segurança é que um pequeno navio-tanque foi atacado e desviado da sua rota", declarou à agência France-Presse John Steed, antigo coronel do Exército britânico, responsável para a África Oriental da ONG de luta contra a pirataria Oceans Beyond Piracy (OBP), que está em contacto com as forças navais que acompanham a progressão do navio atacado.

"Precisamos ainda de confirmar se se trata de um ataque de piratas, uma vez que não sabemos, por exemplo, quais são as reivindicações desta gente. Mas isto parece mesmo um cenário tradicional de ataque de piratas", acrescentou Steed.

Com oito tripulantes a bordo, o Aris 13, navio-tanque pertencente a uma empresa dos Emirados Árabes Unidos e com bandeira do Sri Lanka, transportava crude do Djibuti para Mogadíscio, quando enviou na passada segunda-feira uma mensagem com pedido de ajuda.

"O navio enviou uma mensagem indicando que estava a ser seguido por dois esquifes", pequenas embarcações rápidas geralmente utilizadas pelos piratas somalis, indicou o antigo coronel. "Depois disso, o rádio foi silenciado e o proprietário do navio não conseguiu contactar" a tripulação, acrescentou John Steed.

A progressão do navio foi acompanhada por forças navais, nomeadamente com a ajuda de caças da força aérea de luta contra a pirataria na Somália.

O Aris 13 encontra-se atualmente ancorado ao largo das costas da região semi-autónoma de Puntland, na ponta nordeste da Somália, não muito longe da cidade de Alula.

"Não há registo de um ataque a um navio comercial pelos piratas somalis desde 2012", sublinhou Steed.

A pirataria somali, que assumiu uma escala industrial em 2005, atingiu o seu apogeu em 2011. Os ataques perturbaram seriamente a navegação nesta muito congestionada região do mundo. No pico da crise (janeiro de 2011), os piratas somalis tinham detidos 736 reféns e 32 navios.

As medidas tomadas pela comunidade internacional contra a pirataria, com o envio para a região do Corno de África de forças navais internacionais, acabaram por dar os seus frutos e colocar um ponto final à atividade até agora, depois de centenas de piratas detidos.

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