Petroleiro iraniano perseguido pelos EUA altera destino para porto da Turquia

O navio transporta 2,1 milhões de barris de petróleo bruto iraniano, no valor de cerca de 117,1 milhões de euros.

Um petroleiro de bandeira iraniana perseguido pelos EUA alterou hoje o seu destino para um porto na Turquia, depois de a Grécia se recusar a recebê-lo após pressões de Washington.

A tripulação do Adrian Darya 1, anteriormente conhecido como Grace 1, atualizou o destino no seu Sistema de Identificação Automática (AIS, na sigla inglesa) para Mersin, uma cidade portuária do sul da Turquia, onde se localiza um terminal de petróleo.

No entanto, as tripulações podem introduzir qualquer destino no AIS, pelo que a Turquia pode não ser o verdadeiro destino do navio.

Mersin dista cerca de 200 quilómetros da Refinaria de Baniyas, na Síria, para onde as autoridades alegaram que o Adrian Darya se dirigia, antes de ser apreendido, em Gibraltar, no início de julho.

Nem as autoridades de Teerão, nem os responsáveis turcos, nem os órgãos de comunicação estatais iranianos reconheceram o novo destino declarado pelo Adrian Darya, que transporta 2,1 milhões de barris de petróleo bruto iraniano, no valor de cerca de 130 milhões de dólares americanos (117,1 milhões de euros).

O site de rastreamento de navios MarineTraffic.com mostrava a posição do Adrian Darya a sul da Sicília, no Mar Mediterrâneo, estimando que, se mantiver a velocidade, o Adrian Darya chegará a Mersin em cerca de uma semana.

A detenção do Adrian Darya -- posteriormente libertado - em Gibraltar aumentou as tensões entre Washington e Teerão, depois de Donald Trump ter retirado unilateralmente os EUA do acordo nuclear do Irão com as potências mundiais.

Desde então, o Irão perdeu biliões de dólares em negócios permitidos pelo acordo, uma vez que os EUA impuseram e criaram sanções que impedem Teerão de vender petróleo, uma fonte crucial de rendimento para a economia da República Islâmica.

Nos documentos do Tribunal Federal dos EUA, as autoridades alegam que o verdadeiro dono do Adrian Darya é a Guarda Revolucionária do Irão, uma organização paramilitar que responde apenas ao líder supremo, o aiatola Ali Khamenei.

Os EUA declararam a Guarda como uma organização terrorista estrangeira em abril, dando-lhe o poder legal de emitir um mandado de captura da embarcação. No entanto, a apreensão da embarcação exige que a outra nação reconheça o mandado.

O Adrian Darya tinha colocado o seu destino pretendido como Kalamata, na Grécia, embora o porto não tenha infraestruturas para descarregar o petroleiro. O Departamento de Estado dos EUA pressionou então a Grécia, para não ajudar o navio.

Enquanto isso, o Irão continua a deter o petroleiro Stena Impero, de bandeira britânica, que foi apreendido em 19 de julho, após a tomada do Adrian Darya.

Os analistas sugeriram a libertação do Adrian Darya, para permitir a saída do Stena Impero, mas isso ainda não aconteceu.

O chefe da poderosa Guarda Revolucionária do Irão, general Hossein Salami, disse hoje ter testado com sucesso um "novo míssil" na sexta-feira, sem dar mais detalhes sobre o tipo de arma, segundo a agência de notícias Tasnim.

O presidente do Irão, Hassan Rouhani, estreou na quinta-feira um sistema de mísseis de defesa aérea feito no Irão, o Bavar-373.

Em junho, o Irão abateu um 'drone' de vigilância norte-americano no Estreito de Hormuz.

O Presidente Donald Trump chegou perto de retaliar, mas cancelou um ataque aéreo no último momento.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.