Pequim prepara para setembro cimeira impecável do G20

Reunião é em setembro em Hangzhou, cidade que as autoridades querem esvaziar da população. Cem mil polícias estão já de serviço.

É o acontecimento diplomático do ano para a República Popular da China. E sucede numa conjuntura crítica para a economia mundial, sem crescimento visível e marcada pelas incertezas geradas pela saída do Reino Unido da União Europeia. Ou seja, estão reunidas as condições para as autoridades chinesas, país na presidência do G20 no ano em curso, querer que a cimeira da organização seja um sucesso e materialize soluções para o momento presente.

Marcada para 4 e 5 de setembro em Hangzhou, uma das grandes metrópoles chinesas e situada na província costeira de Zhejiang, a diplomacia de Pequim tem veiculado a ideia de que a cimeira deste ano deve assinalar uma mudança no funcionamento do G20. Em vez de atuar como uma plataforma de análise e gestão de crises, deve evoluir para um fórum em condições de delinear políticas que produzam resultados concretos na conjuntura económica internacional.

Segundo um académico da Universidade Fudan, de Xangai, Zhu Jiejin, citado pela agência Nova China, o que o G20 tem feito até agora é recorrer "às políticas orçamentais e monetárias" para "reduzir a volatilidade a curto prazo". Ou seja, segundo o académico chinês, estão a ser utilizados "remédios para para dissipar os sintomas de uma doença", mas que "não melhoram o estado da economia".

Perante este quadro, a presidência chinesa do G20 preparou um conjunto de propostas com o objetivo de "definir um novo modelo de crescimento baseado no conhecimento e nas novas tecnologias limpas", referiu à Nova China a ministra das Finanças helvética, Ueli Maurer, que participou nas reuniões preparatórias da cimeira na sua área. Outras reuniões setoriais decorreram para as áreas da Energia, Trabalho e Emprego, Ambiente e Agricultura, por exemplo.

Ficaram definidas como prioridades a revitalização das trocas comerciais internacionais e do investimento assim como estratégias de desenvolvimento e fiscais "adequadas a cada um dos países", lê-se num documento de preparação da cimeira. Atendendo a que se está ainda a cerca de um mês do encontro de Hangzhou só deverão ser conhecidas ideias mais claras das medidas a adotar em setembro quando for divulgado o relatório sobre estratégias e projetos a serem aprovados pelos chefes de Estado e de governo participantes.

Segurança, inglês e limpeza

Sendo a primeira vez que decorre uma cimeira G20 no país, a China não se tem poupado a esforços para a reunião de Hangzhou, além de produzir resultados reais, decorra de maneira impecável.

Intenção demonstrada, desde logo, pela escolha da cidade. Hangzhou é considerada uma das mais belas do país, com uma paisagem deslumbrante que foi fonte de inspiração para grandes obras da pintura clássica chinesa. O site da G20 reproduz inclusive uma citação de Marco Polo, viajante do século XIII, que descreveu a cidade como a "mais magnífica no mundo".

Agora, Hangzhou está a ser patrulhada por mais de cem mil polícias, as ruas a ser limpas, todos os cartazes retirados, fechados locais de culto de minorias como os cristãos ou os muçulmanos e apela-se à denúncia de elementos suspeitos.

Segundo a Reuters, estão a ser dadas aulas de inglês aos mais velhos para servirem de guias aos estrangeiros e 250 fábricas foram fechadas na província, e noutras adjacentes, na tentativa de reduzir a poluição. As autoridades estão a distribuir vales aos habitantes com verbas que lhes permitem estar fora durante a semana da cimeira. A cidade tem nove milhões de habitantes e o total dos vales ascente a dez mil milhões de yuans (900 milhões de euros).

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