Penas dos condenados pela morte de Khashoggi reduzidas. Noiva de jornalista fala em "farsa"

As sentenças dos acusados pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, foram reduzidas para entre sete e 20 anos de prisão, depois de terem sido condenados à morte em primeira instância.

A noiva turca do jornalista de origem saudita assassinado Jamal Khashoggi descreveu esta segunda-feira como uma "farsa" o veredicto final dos tribunais que reduziram a pena dos acusados pelo crime.

As sentenças dos acusados pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, foram reduzidas para entre sete e 20 anos de prisão, depois de terem sido condenados à morte em primeira instância, anunciaram hoje as autoridades da Arábia Saudita.

Um tribunal saudita condenou esta segunda-feira cinco dos acusados a 20 anos de cadeia e três outros a penas que vão de sete a 10 anos de prisão, diminuindo a pena a todos, segundo as autoridades, que não revelaram a identidade dos réus.

"A comunidade internacional não vai aceitar essa farsa", escreveu Hatice Cengiz, a noiva turca de Khashoggi, na sua conta pessoal da rede social Twitter.

"As autoridades sauditas encerraram este processo sem que o mundo soubesse a verdade sobre quem foi o responsável pelo assassinato de Jamal", acrescentou Hatice Cengiz.

"O veredicto final na Arábia Saudita é uma completa paródia da justiça", concluiu Cengiz, dizendo que está "mais determinada do que nunca para lutar para que a justiça seja reposta".

Também Agnès Callamard, a especialista nomeada pela ONU para realizar uma investigação independente sobre o assassínio do jornalista norte-americano de origem saudita disse hoje que a sentença hoje anunciada não tem "legitimidade ou moral", embora tenha saudado o cancelamento das penas de morte.

"O procurador saudita teve um novo gesto nesta paródia de justiça", escreveu Callamard na sua conta de Twitter, cujo parecer não vincula as Nações Unidas.

"Estas sentenças não têm legitimidade ou moral. Elas foram emitidas no fim de um processo que não foi justo nem transparente", conclui a especialista.

O jornalista norte-americano de origem saudita Jamal Khashoggi foi assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, em outubro de 2018, depois de ter escrito duras críticas sobre o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, em colunas para o jornal norte-americano Washington Post.

Khashoggi vivia no exílio nos Estados Unidos há um ano, denunciando as ações de repressão do príncipe herdeiro saudita contra ativistas de direitos humanos, escritores e intelectuais opositores do regime.

Entre os alegados envolvidos no crime estão um médico forense, oficiais de inteligência e de segurança e membros do gabinete de Mohammed bin Salman, embora este tenha negado sempre qualquer conhecimento da operação que assassinou o jornalista.

Em dezembro de 2019, um tribunal de primeira instância tinha sentenciado à morte os oito acusados, mas a procuradoria-geral da Arábia Saudita disse hoje que um tribunal de recurso tinha diminuído as suas penas.

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