Pedro Sanchéz convoca eleições gerais em Espanha para 28 de abril

Primeiro-ministro espanhol convocou eleições antecipadas perante o chumbo do Orçamento do Estado. Oposição já reagiu ao anúncio.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchéz anunciou esta sexta-feira que vai convocar eleições gerais no país para o próximo dia 28 de abril.

Num discurso em que recordou os objetivos alcançados pelo Governo minoritário que liderou nos últimos nove meses, Sanchéz explicou que se viu esta semana confrontado com a necessidade de governar com um Orçamento que não era o dele - o projeto de Orçamento foi chumbado pela oposição de direita - e que decidiu que a Espanha precisa de "avançar".

"Entre as duas opções, não fazer nada, e dar a palavra aos espanhóis, escolho a segunda", disse, sublinhando que o país precisa de andar para a frente e não paralisar.

"Por este motivo, anuncio-vos que proponho a convocação de eleições gerais para o dia 28 de abril". As cortes serão dissolvidas a 5 de março.

A data das eleições antecipadas já tinha sido comunicada ao conselho de ministros, que se reuniu na manhã desta sexta-feira, antes da comunicação de Sanchéz ao país.

Sanchéz, líder do PSOE, foi eleito primeiro-ministro em junho do ano passado, depois de o parlamento espanhol ter aprovado uma moção de censura ao governo de direita liderado por Mariano Rajoy. A legislatura atual deveria terminar em 2020.

O chefe do executivo espanhol defendeu o trabalho do Governo "europeísta" e "com uma maioria de mulheres" que liderou e criticou a oposição de direita por não o ter deixado dirigir o país como gostaria. "Um governo tem a obrigação de cumprir a sua tarefa: aprovar leis, governar, avançar. Quando alguns partidos bloqueiam a tomada de decisões é preciso convocar eleições", afirmou.

Os partidos independentistas catalães, que foram decisivos para a subida ao poder de Pedro Sánchez em junho de 2018, votaram agora ao lado da oposição de direita na devolução ao executivo da totalidade das contas do Estado. Sánchez defendeu o diálogo com os independentistas "sempre dentro da Constituição".

Desta forma, as legislativas não coincidirão com as eleições europeias, autonómicas e municipais, marcadas para 26 de maio, em Espanha. Porém, no entender do líder da oposição, Pablo Casado, "o lógico" era Sánchez apontar as eleições para 26 de maio porque dessa forma, disse, evitaria "o custo de 200 milhões de euros" que pressupõe a realização de todos aqueles atos eleitorais em datas separadas.

A campanha para as legislativas arrancará a 13 de abril, no início das férias da Semana Santa em Espanha.

PP: Sánchez "atirou a toalha ao chão"

O líder do Partido Popular, Pablo Casado, já reagiu ao anúncio de eleições, dizendo que estas são a escolha entre "um modelo que negoceie com [o presidente da Generalitat Quim] Torra e um partido que governe com o artigo 155", referindo-se ao artigo da Constituição que já foi usado por Mariano Rajoy para suspender a autonomia da Catalunha.

"O PP, como oposição, conseguiu que o governo de Sánchez atire a toalha ao chão", afirmou numa conferência de imprensa, mostrando-se satisfeito com a convocação de eleições. Sobre um eventual pacto com o Vox, partido de extrema-direita, Casado disse que só põe limites "a aqueles que querem destruir o meu país".

Casado acusou ainda Sánchez de mentir ao alegar que a moção de censura que levou à queda de Rajoy foi "construtiva" quando "não houve programa". O PP, pelo contrário, "tem muito clara qual é a agenda" que vai propor. E deixou o alerta: "Os espanhóis têm que saber que se a 28 de abril Sánchez tiver alguma aritmética possível para pactuar com os independentistas, voltará a fazê-lo."

Podemos: "A sondagem que vale é a do voto nas urnas"

Do lado do Podemos, a primeira reação oficial coube a Irene Montero, porta-voz do grupo Unidos Podemos no Congresso. Montero diz que graças ao partido "foi possível afastar o partido mais corrupto da Europa da Moncloa", numa referência ao PP, "mas a resposta foi uma reação muito violenta".

Montero enumerou ainda as várias conquistas do governo, como o aumento do salário médio a 900 euros, dizendo que "toda a gente sabe que em Espanha nenhuma destas medidas teria sido possível se o PSOE estivesse estado sozinho". E deixa claro que o partido não está morto. "A sondagem que vale é a do voto nas urnas." E deixou claro que não haverá nunca acordos com o Ciudadanos.

Montero criticou ainda os partidos independentistas catalães, lembrando que "Catalunha não pode mudar sem Espanha". E lembra que o governo termina o seu mandato sem diálogo. "Um governo com maiores alianças teria sido mais forte se o objetivo é fazer políticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas", indicou.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, está em licença de paternidade e tinha previsto regressar ao Congresso só no final de março. "Pablo Iglesias cumprirá a licença de paternidade", disse Montero.

Ciudadanos: "É hora de inaugurar uma nova etapa"

O Ciudadanos também já reagiu à convocação de eleições. "Hoje é um bom dia para Espanha. Devolve-se a voz ao povo espanhol depois de uma legislatura falhada", disse o líder do partido, Albert Rivera, acusando Sánchez de ter usado o cargo "não para melhorar Espanha, mas para os seus interesses pessoais".

Rivera defendeu que "é hora de inaugurar uma nova etapa depois de 40 anos de PP e PSOE a governar com os nacionalistas". No passado, também os populares contaram com o apoio dos independentistas para ter maioria para governar. "A partir de agora o futuro tem que estar nas mãos dos que amam este país. Os que querem liquidar este país não podem tomar decisões com o resto dos espanhóis. [Oriol] Junqueras, Torra ou [Carles] Puigdemont não podem marcar o rumo", defendeu.

Segundo Rivera, existe a obrigação de construir "uma maioria alternativa". E acusa Sánchez de "ter o PSOE sequestrado", alegando que "enquanto o PSOE estiver nas mãos de Sánchez não é uma alternativa constitucionalista". Questionado sobre um possível pacto com o Vox, Rivera respondeu: "Hoje é preciso falar de quem encabeça um novo governo: se um governo Frankenstein ou um governo constitucionalista."

Vox: "Governo ilegítimo e traidor"

O líder do Vox, Santiago Abascal, reagiu no Twitter à convocação de eleições. "A Espanha viva derrotou por um fim uma legislatura infame que começou com um governo incapaz e cobarde e termina com um governo ilegítimo e traidor. Espanha, outra vez, foi mais forte que os seus inimigos. A 28 de abril reconquistará o futuro. Juntos faremos história."

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