Apelo à libertação de Sentsov na entrega do prémio Sakharov

O prémio foi entregue a uma prima e ao advogado do cineasta ucraniano, que está detido na Rússia "por razões políticas" e a cumprir uma pena de 20 anos de prisão.

O Parlamento Europeu (PE) entregou hoje, numa cerimónia na sessão plenária de Estrasburgo, o prémio Sakharov aos representantes do cineasta ucraniano Oleg Sentsov, que está detido na Rússia "por razões políticas".

O presidente do PE, Antonio Tajani, sublinhou, no seu discurso, que Sentsov "está detido por razões políticas" e a cumprir uma pena de 20 anos de prisão, depois de se ter manifestado contra a anexação da Crimeia pela Rússia.

Tajani pediu, mais uma vez, a libertação de Sentsov e de outros presos políticos na Crimeia, condenou a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia e apelou a uma acalmia nas tensões entre Moscovo e Kiev.

O prémio Sakharov 2018 foi recebido por uma prima e o advogado do galardoado.

Sentsov cumpriu uma greve de fome de 145 dias em apelo à libertação de todos os presos políticos ucranianos na Rússia, tendo o protesto sido interrompido à força dado o seu estado de debilidade.

Na cerimónia, Natalia Kaplan, discursando em nome do cineasta, salientou o papel de ativista do seu primo e denunciou a detenção ilegal de Sentsov, que foi ainda torturado e julgado num tribunal militar russo.

Sentsov é um declarado opositor à anexação da Crimeia pela Rússia, tendo sido detido em Simferopol (Crimeia), em 10 de maio de 2014, sob a acusação de planear atos de terrorismo contra o domínio russo 'de facto' na província.

O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, batizado em honra do dissidente e cientista soviético Andrei Sakharov, foi estabelecido em dezembro de 1988 pelo PE para homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas ou ações à defesa dos direitos humanos e à liberdade.

A oposição democrática na Venezuela foi galardoada em 2017 e Sentsov é o primeiro europeu a receber o prémio desde a associação russa Memorial, criada para ajudar presos no regime soviético, que foi distinguida em 2009.

O prémio consiste num certificado e um cheque de 50 mil euros.

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