Paz na Síria: ONU admite ser incapaz de supervisionar qualquer acordo

Alto Comité de Negociações, vasta coligação de opositores políticos e de grupos armados sírios, confirmou ida a Genebra

As Nações Unidas não serão capazes de supervisionar a implementação de um qualquer acordo de paz que possa surgir das negociações sobre a Síria em Genebra. Isso mesmo constata o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, no rascunho de uma estratégia sobre o conflito sírio a que teve acesso a conceituada revista 'Foreign Policy'. Nesse documento, o enviado da ONU para a Síria reconhece ainda que muito dificilmente será declarado um cessar-fogo em todo o país e que é pouco provável que qualquer acordo que se consiga leve à paz imediata no país de Bashar al-Assad.

"O atual contexto político nacional e internacional bem como o atual ambiente operacional sugerem que uma missão de manutenção de paz da ONU, baseada em tropas estrangeiras e também observadores militares, será uma modalidade inadequada para supervisionar um cessar-fogo", escreve Staffan de Mistura em "Draft Ceasefire Modalities Concept Paper" (rascunho sobre o conceito das modalidades do cessar-fogo, numa tradução livre para português).

O que o enviado da ONU quer dizer é que a situação síria é de tal forma grave e violenta que a manutenção de paz não está à altura de uma qualquer tradicional missão de capacetes-azuis - como ao longo da história tem acontecido noutras zonas do mundo. As negociações sobre a situação na Síria começaram na sexta-feira em Genebra, sob a égide da ONU, no meio de alguma confusão sobre a participação ou não da oposição.

Após algumas reticências, o Alto Comité de Negociações, uma vasta coligação de opositores políticos e de grupos armados sírios formada em dezembro na Arábia Saudita no quadro da iniciativa de Genebra, confirmou a sua participação nas conversações. "Vamos a Genebra para testar a seriedade da comunidade internacional no que toca às promessas que fizeram ao povo sírio e também para aferir a seriedade do regime [de Bashar al-Assad] quanto à implementação das suas obrigações humanitárias", disse à Reuters Riyad Naasan Agha, ex-ministro da Cultura que agora lidera os negociadores da oposição. O conflito na Síria já leva cinco anos e já fez mais de 250 mil mortos e quase cinco milhões de refugiados

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