Paulo Rangel na delegação do Parlamento Europeu que vai reunir com Guaidó

O eurodeputado português, vice-presidente do grupo do Partido Popular Europeu, viaja para Caracas onde tem marcados contactos com diplomatas, ONG's, partidos representados na Assembleia Nacional e Juan Guaidó. Ainda não foi confirmado encontro com membro do governo de Nicolás Maduro.

O eurodeputado Paulo Rangel, eleito pelo PSD e vice-presidente do grupo do Partido Popular Europeu (PPE), viaja este domingo para a Venezuela, numa delegação que inclui outros dois vice-presidentes e mais dois eurodeputados, para analisar no terreno a situação que se vive no país. Entre os vários encontros previstos está um com o presidente da Assembleia Nacional e presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

"A principal razão que me moveu a ir é para perceber no terreno como é que as coisas estão e só in loco é que se pode perceber", disse ao DN Paulo Rangel, que é o cabeça de lista do PSD às europeias de maio.

Na agenda da viagem, entre a tarde de domingo e terça-feira à noite, estão previstos encontros com diplomatas - nomeadamente a embaixadora da União Europeia em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa - com organizações não-governamentais e com todos os partidos com representação na Assembleia Nacional, além de Guaidó. O Parlamento Europeu reconheceu oficialmente o presidente da Assembleia Nacional como presidente interino da Venezuela.

Também foi pedido um encontro com membros do governo do presidente Nicolás Maduro: "A resposta de princípio, obviamente a um nível que não será o mais elevado, é de que haveria disponibilidade para isso. Houve uma disponibilidade de princípio, mas não há uma confirmação. Julgo que ainda irão avaliar", afirmou.

"É uma iniciativa que eu e o colega espanhol [Esteban González Pons] tomámos. Achamos que é muito importante visitar a Assembleia Nacional e ter contacto com Juan Guaidó. Vamos visitar todos os partidos que estão representados na assembleia legítima para compreender a situação política, em que pé é que está, mas também a da ajuda humanitária", indicou.

"Também estaremos disponíveis para falar com o governo de facto de Maduro no sentido de ouvir a sua perspetiva e podermos contrapor as nossas, explicar melhor a posição do Parlamento Europeu e procurar fazer alguma pedagogia da necessidade que consideramos claríssima de organizar eleições presidenciais", acrescentou.

Questionado sobre a possibilidade de não ser autorizado a entrar, Paulo Rangel diz que receberam um convite formal da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional. "Nós preparámos a visita no sentido de acautelar todas as situações. Diria que o sinal que tivemos até agora é o de que podemos ir, mas não excluo nenhum cenário. A preparação da visita está a decorrer normalmente", referiu.

Além de Rangel e Pons, a comitiva inclui uma terceira vice-presidente do grupo do PPE, a holandesa Esther de Lange, assim como mais dois eurodeputados e o secretário-geral adjunto do grupo parlamentar do PPE, Juan Salafranca.

"O objetivo da visita é fazer uma avaliação da situação política e humanitária e explicar que a realização de eleições presidenciais organizadas de acordo com regras justas e livres, com algum acompanhamento internacional que possa dar garantias a todas as partes, seria a melhor forma de resolver este bloqueio e esta crise. E também queríamos deixar esse sinal ao lado de Maduro, que o que move a União Europeia é conseguir uma solução que possa ser aceite por todas as partes", indicou o eurodeputado português.

O presidente norte-americano, Donald Trump, prevê fazer um discurso sobre a Venezuela na segunda-feira, em Miami. Questionado sobre as eventuais ações dos EUA contra a Venezuela, Rangel diz que a posição da União Europeia e da maior parte dos países a União Europeia é "a posição correta" e que, apesar de se rever na ajuda humanitária que os EUA querem dar, considera "negativa" qualquer intervenção de outro tipo.

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