Parlamento grego confirma construção de mesquita em Atenas

A Grécia vai resolver os problemas técnicos e burocráticos para que a construção da mesquita em Atenas seja possível

O parlamento grego aprovou esta quinta-feira uma nova emenda para resolver "os problemas técnicos e burocráticos" que impedem a construção de uma mesquita em Atenas, a primeira da capital e um projeto no impasse desde 2000.

O projeto foi votado por 206 dos 300 deputados do parlamento.

O ministro da Educação e dos Cultos, Nikos Filis, após atribuir os atrasos no projeto a problemas "administrativos", sublinhou a necessidade para a "coesão social" de construir uma mesquita em Atenas, onde vivem cerca de "200.000 muçulmanos", um número que terá aumentado após o fluxo migratório de 2015.

Com um orçamento de 646.000 euros, a mesquita com uma superfície perto dos 500 metros quadrados será construída no bairro de Eleonas, perto do centro. Esta será a primeira mesquita oficial construída em Atenas desde a independência do país no século XIX (1821-1932) e o fim progressivo do domínio otomano, sendo hoje uma das raras capitais europeias sem este local de culto.

Pelo menos três leis provenientes de diferentes governos foram votadas desde o anúncio deste projeto em 2000. Foram necessários cinco anos de concursos para que o projeto fosse atribuído em 2013, devido à oposição dos habitantes do bairro e aos protestos de forças de extrema-direita, em particular os neonazis do Aurora Dourada.

Devido ao aumento da imigração proveniente do Paquistão e de outros países muçulmanos, numerosas mesquitas não-oficiais funcionam em locais deteriorados no centro de Atenas, uma cidade com mais de três milhões de habitantes.

O ministro também indicou que foram atribuídas autorizações a quatro outras mesquitas no país, que até agora funcionavam clandestinamente. "Estas mesquitas não são novas, funcionam há vários anos e conseguimos legalizá-las", assinalou Filis.

As únicas mesquitas oficiais na Grécia estão situadas na Trácia (nordeste), onde habita uma minoria muçulmana de origem turca e o povo gorani, eslavos islamizados.

O pequeno partido soberanista dos Gregos independentes (Anel), que participa na coligação governamental com o partido de esquerda Syriza do primeiro-ministro Alexis Tsipras, votou contra este projeto.

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