Parlamento destitui governo e primeiro-ministro

Governo moldavo estava em funções há apenas três meses

O parlamento da Moldávia destituiu hoje o governo pró-europeu e o primeiro-ministro Valeriu Strelets, num agravamento da crise política na ex-república soviética assinalada por um amplo movimento de contestação e um vasto escândalo de corrupção.

Na sequência de um voto de desconfiança apresentado pela oposição de esquerda, 65 deputados, num mínimo de 51 votos, censuraram o governo de Strelets, em funções há apenas três meses neste pequeno e instável país do leste europeu de 3,5 milhões de habitantes, rodeado pela Roménia e a Ucrânia, considerado por diversas organizações internacionais como o mais pobre da Europa e regularmente agitado por crises políticas.

Num total de 101 deputados, 21 eleitos do Partido comunista, 25 do Partido socialista e 19 de Partido democrático de centro-esquerda votaram a favor da destituição.

Os deputados dissidentes denunciaram na tribuna as "promessas vazias" de Valeriu Strelets, que fez do combate à corrupção a sua prioridade, e definindo o governo como "o menos profissional de toda a história da Moldávia".

Valeriu Strelets, 45 anos, que chefia o Partido liberal-democrata, no poder, liderava desde o final de julho uma frágil coligação de partidos pró-europeus e na sequência da demissão do antigo primeiro-ministro Chiril Gaburici em meados de junho, após as acusações de ter falsificado um diploma.

Há vários meses que o país regista importantes manifestações na sequência do anúncio, no início de abril, do "desaparecimento" de cerca de 915 milhões de euros dos bancos do país, cerca de 15% do PIB moldavo.

Em setembro, dezenas de milhares de manifestantes promoveram diversos protestos na capital Chisinau para exigir a demissão do Presidente Nicolae Timofti, acusado de estar ao serviço dos interesses dos oligarcas e de laxismo no combate à corrupção.

O chefe de Estado é contestado em simultâneo por uma corrente que reúne representantes da sociedade civil que defendem a integração europeia, e por uma oposição de esquerda que, em diversos setores, sugere uma aproximação com a Rússia.

A pequena ex-república soviética confronta-se assim com as ambições de Moscovo - expressa na proclamação no início da década de 1990 da "República da Transnístria" pró-russa - e a importante influência da Roménia, em particular devido às afinidades históricas, culturais e linguísticas.

Em 2014 o país assinou um acordo de associação com a União Europeia (UE), apesar das pressões de Moscovo que impôs um embargo aos produtos frutícolas provenientes da Moldávia.

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