ONU investiga ataque: "O que aconteceu é horrível"

Ataque aéreo na Síria com gás tóxico matou 58 pessoas, incluindo 11 menores. Rússia nega ser autora do bombardeamento

A Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre os Direitos do Homem na Síria anunciou hoje que já está a investigar o ataque com armas químicas no noroeste do país, que fez mais de 58 mortos, incluindo crianças.

"Os relatórios a sugerir que se tratou de um ataque com armas químicas são extremamente preocupantes. A comissão está atualmente a conduzir um inquérito sobre as circunstâncias em torno deste ataque e que inclui as alegações de que foram utilizadas armas químicas", indicaram por escrito os investigadores.

Também o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, apelou hoje a que se apurem "responsabilidades claras" pelo ataque.

"O que aconteceu esta manhã é horrível e vamos pedir uma clara identificação de responsabilidades", indicou De Mistura numa conferência de imprensa ao lado da alta representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini.

De Mistura também se mostrou convencido de que "haverá uma reunião do Conselho de Segurança da ONU" sobre este caso, algo que já foi pedido pelo membro-permanente França.

França exige reunião "urgente" do Conselho de Segurança

A França exigiu hoje "uma reunião de urgência" do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sequência de "um novo ataque químico particularmente grave na Síria", anunciou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault.

Em comunicado, Jean-Marc Ayrault condenou o ataque - denunciado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) - como um "ato ignóbil", na província de Idleb, indicou o ministro.

As primeiras informações dão conta de um elevado número de mortos, entre os quais crianças

O chefe da diplomacia francesa realçou que "a utilização de armas químicas constitui uma inaceitável violação da Convenção sobre a Interdição de Armas Químicas (CIAC) e um novo testemunho da barbárie de que o povo sírio é vítima há tantos anos".

Por isso mesmo, explicou, a França "exigiu a convocatória de uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU".

Já a chefe da diplomacia da UE, a italiana Federica Mogherini, acusou diretamente o regime de Bashar al-Assad de ser "o principal responsável" pelo ataque químico.

Evidentemente que a principal responsabilidade vai para o regime sírio

"Hoje, as notícias são horríveis", declarou Mogherini.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o ataque aéreo com gás tóxico em Khan Cheikhoun causou 58 vítimas mortais, entre elas 11 menores.

A organização não-governamental, que citou fontes médicas e ativistas, acrescentou que alguns feridos do ataque, perpetrado por aviões não identificados, apresentavam sintomas de asfixia, vómitos e dificuldade de respirar.

Ativistas descreveram o ataque como um dos piores com gás tóxico no país

O observatório indica ainda que o balanço de vítimas mortais poderá aumentar tendo em conta o elevado número de feridos.

De acordo com os mesmos ativistas, o ataque em Khan Cheikhoun, província de Idleb, foi causado por um bombardeamento aéreo levado a cabo ou pelo governo sírio ou pela aviação russa. Não há ainda indicação sobre qual o tipo de gás utilizado.

Hospital que estava a atender os feridos do ataque químico foi bombardeado horas depois

O hospital que estava a receber os feridos do ataque com gás tóxico em Khan Cheikhoun, no noroeste da Síria, foi bombardeado horas depois, constatou no local um correspondente da Agência France Presse.

A mesma fonte indicou que o bombardeamento visou uma parte do hospital e que alguns médicos foram vistos no meio dos escombros. Não é possível, de momento, saber qual o número de vítimas.

A oposição síria já pediu ao Conselho de Segurança da ONU que abra com urgência um inquérito sobre o ataque com "gás tóxico" perpetrado, segundo disse, pelo regime de Bashar al-Assad no noroeste do país.

A maior parte da província de Idleb está sob controlo de fações rebeldes e islâmicas, entre elas o Organismo de Libertação do Levante, a aliança formada em torno da ex-filial síria da Al Qaeda.

Nos últimos dias têm-se registado vários bombardeamentos, alegadamente com gases, no norte da Síria.

No passado dia 30 de março, mais de 50 pessoas ficaram feridas ou com sintomas de asfixia devido a ataques perpetrados por aviões e helicópteros não identificados, alguns com substâncias químicas, na província de Hama, vizinha de Idleb.

As forças armadas russas negaram ter realizado um ataque aéreo na zona de Khan Cheikhoun, na província síria de Idleb, onde um ataque químico matou pelo menos 58 pessoas, incluindo 11 menores.

"Os aviões da força aérea russa não realizaram qualquer ataque na localidade de Khan Cheikhoun", assegurou o Ministério russo da Defesa em comunicado.

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