"Vamos ser uma nação costeira independente". May defende Brexit. Corbyn fala em equívoco

A UE e o Reino Unido chegaram a acordo provisório sobre o relacionamento "ambicioso" no pós-Brexit. Theresa May diz que a declaração política aponta para uma área de comércio livre como não existe no mundo. Líder da oposição volta a demolir PM.

A governante britânica dirigiu-se de novo ao Parlamento para defender a declaração política que foi acordada na quinta-feira de manhã, como anunciou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. As 26 páginas do documento vão ser anexadas ao tratado de retirada do Reino Unido da UE e estabelece os parâmetros para uma parceria ao nível do comércio, política externa, defesa e segurança.

"Este acordo acaba com o movimento livre de uma vez por todas e em seu lugar a imigração vai ser baseada nas competências. Acaba com a jurisdição do Tribunal Europeu e significa o fim de enviar largas somas de dinheiro para Bruxelas, que pode ser investido no serviço nacional de saúde", começou.

De seguida salientou que vai ser criado um acordo de comércio livre único com a União Europeia. "O acordo significa o fim da política agrícola comum (PAC) e da política de pescas comum. Rejeitámos firmemente uma ligação entre o acesso às nossas águas e o acesso aos mercados. Vamos ser uma nação costeira independente", garantiu.

Lembrou ainda que o Reino Unido vai poder assinar outros tratados de comércio com outros países.

Estatuto de Gibraltar não é questão

"Temos um texto acordado com os outros 27. As negociações estão num momento crítico. Ontem falei com o primeiro-ministro Pedro Sánchez. Tenho estado a trabalhar de forma construtiva com Espanha e Gibraltar. Mas vou ser clara, a soberania britânica de Gibraltar vai manter-se", avisou.

Horas antes, uma fonte diplomática espanhola confirmou à Reuters que vai votar contra o acordo devido à falta de clareza no texto sobre Gibraltar.

"Nas próximas 72 horas vou fazer tudo o possível para concluir o acordo", afirmou, após dizer que o povo britânico quer o Brexit avance. "Querem que os políticos avancem e foquem-se noutros temas como o serviço nacional de saúde."

26 páginas de equívoco

Para o trabalhista Jeremy Corbyn "a declaração política são 26 páginas de equívoco". "Nada mudou com esta declaração. Este documento vazio podia ter sido escrito há dois anos. O que fez o governo nos últimos dois anos? Fizeram menos de uma página por mês depois do referendo. É evidente que nada está acordado.", comentou.

Corbyn criticou ainda a forma como May se referira, dias antes, aos imigrantes europeus: "Espero que a primeira-ministra abandone o discurso venenoso sobre a imigração europeia de estes 'passarem à frente da fila'.".

Por fim, sobre a "ementa vaga em opções" e a falta de clareza que diz ser a declaração política, deu um exemplo sobre a relação futura de Londres com as agências europeias: "As partes devem considerar medidas apropriadas para cooperação no espaço", leu, para gargalhada da sua bancada. O trecho referia-se ao programa de navegação por satélite Galileo.

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