Papa pede solução de dois Estados para Israel e Palestina

Líder católico apelou a que haja vontade para retomar o diálogo entre as duas partes. E comparou Maria e José aos migrantes

Francisco usou a sua mensagem de Natal para apelar a uma solução negociada de dois Estados para colocar um fim no conflito entre Israel e Palestina, recado que chega após Donald Trump reconhecer Jerusalém como a capital israelita. "Vamos rezar para que a vontade para retomar o diálogo prevaleça entre as partes e que uma solução negociada possa finalmente ser alcançada, uma que permita a coexistência pacífica de dois Estados dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas", afirmou ontem o Papa na sua mensagem Urbi et Orbi.

"Vemos Jesus nas crianças do Médio Oriente, que continuam a sofrer por causa da crescente tensão entre israelitas e palestinianos", prosseguiu o líder da igreja católica.

Esta é a segunda vez que Francisco fala publicamente sobre a situação de Jerusalém desde que a decisão do presidente dos Estados Unidos, a 6 de dezembro. Logo nesse dia, o Papa apelou ao respeito pelo status quo da cidade, caso se verifique uma escalada das tensões na região. Os palestinianos querem Jerusalém Oriental como a capital do seu futuro Estado, sendo que Israel já declarou toda a cidade como sendo a sua "unida e eterna" capital.

O Papa apelou ainda a que as pessoas vejam o indefeso bebé Jesus nas crianças que sofrem nas guerras, migrações e catástrofes naturais causadas pelo homem. "Hoje, enquanto os ventos da guerra sopram no nosso mundo, o Natal convida-nos a concentrarmo-nos no sinal do filho e para reconhecê-lo nas caras das crianças pequenas, especialmente aquelas para quem, como Jesus, "não há lugar na estalagem"", prosseguiu.

Falando em concreto sobre os migrantes e refugiados, o líder dos católicos comparou a situação de José e Maria, que foram obrigados a deixar a sua terra, "cheios de esperança no futuro pelo filho que estava prestes a chegar" e que "tiveram de enfrentar o mais difícil: chegar a Belém e integrar-se numa terra que não os esperava e onde não tinham lugar". Hoje em dia, "vemos famílias inteiras que são forçadas a abandonar as suas terras, milhões de pessoas que não escolhem sair, mas que são obrigadas a fazê-lo, deixando para trás os seus entes queridos", salientou.

Na sua quinta mensagem de Natal, Francisco disse ainda ter visto Jesus nas crianças que conheceu durante a sua recente viagem à Birmânia e ao Bangladesh, pedindo uma proteção adequada da dignidade das minorias da região - mais de 600 mil rohingya fugiram, nos últimos meses, da Birmânia para o Bangladesh. O Papa, na sua visita as estes dois países, não usou a palavra rohingya no primeiro, que não os reconhece como uma minoria, só falando claramente deste grupo étnico no segundo. "Jesus sabe bem a dor de não ser bem-vindo e como é difícil conseguir um sítio para descansar. Que nossos corações não estejam fechados como estavam nas casas em Belém", defendeu.

Francisco pediu também que o mundo veja Jesus nas crianças que sofrem nas guerras na Síria e no Iraque, mas também no Iémen, queixando-se que estes países têm sido "largamente esquecidos, com sérias implicações humanitárias para as suas populações". Na lista do Para estavam ainda países como Sudão do Sul, Somália, Burundi, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Ucrânia e Venezuela.

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