Papa ordena investigação aos arquivos do Vaticano sobre cardeal McCarrick

"O abuso e o seu encobrimento não podem continuar a ser tolerados."

O papa ordenou a realização de uma investigação aprofundada aos arquivos do Vaticano sobre o cardeal norte-americano Theodore McCarrick, acusado de ter cometido abusos sexuais, anunciou este sábado a Santa Sé. O estudo de toda a documentação existente sobre McCarrick visa "averiguar todos os fatos relevantes, colocá-los no seu contexto histórico e avaliá-los objetivamente".

"A Santa Sé tem consciência que, do exame dos factos e das circunstâncias, pode emergir que foram feitas escolhas que não seriam consonantes com uma abordagem contemporânea a estes temas. Contudo, como disse o papa Francisco 'Seguiremos este caminho até onde nos levar'", pode ler-se no comunicado. "O abuso e o seu encobrimento não podem continuar a ser tolerados."

A Santa Sé explica ainda que as conclusões desta investigação sobre os abusos do ex-cardeal e arcebispo emérito de Washington Theodore McCarrick serão divulgadas "a seu tempo".

O comunicado explica que a Santa Sé foi notificada em setembro de 2017 de que existiam queixas contra o cardeal, acusações de abuso sexual que remontavam aos anos 70. O papa "ordenou uma investigação preliminar, que foi levada a cabe pela Arquidiocese de Nova Iorque".

Entretanto, o papa aceitou a saída de McCarrick do Colégio dos Cardeais, uma medida com poucos precedentes na história, e ordenou que siga uma vida de "oração e penitência" até ao julgamento canónico das acusações de abuso que pesam contra ele.

O caso McCarrick foi usado por Carlo Maria Vigano, antigo núncio nos EUA, para acusar o Papa Francisco de encobrimento e pedir a sua renúncia, no que foi visto por muitos como um ataque dos sectores mais conservador ao sumo-pontífice.

Vigano referiu que Francisco anulou as sanções canónicas a McCarrick, que tinham sido impostas pelo papa Bento XVI em 2009 e 2010, salientado que o Vaticano sabia, pelo menos desde 2000, que o antigo cardeal molestava sexualmente e assediava menores e adultos.

Com Lusa

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