Papa assegura que Igreja nunca mais encobrirá abusos sexuais

O papa garante hoje que a Igreja "nunca mais encobrirá ou desvalorizará" os casos de abusos feitos pelo clero e assegurou que "não se cansará de levar os abusadores à Justiça"

Durante o discurso tradicional das festas natalícias, o papa Francisco aproveitou para lançar avisos à hierarquia da Igreja e dedicou a ocasião ao tema dos abusos sexuais.

"A Igreja não se cansará de fazer o necessário para levar à Justiça qualquer pessoa que tenha cometido esse tipo de crimes", assegurou.

Os abusos sexuais por padres e sacerdotes vão ser o tema de uma cimeira que irá decorrer no Vaticano de 21 a 24 de fevereiro próximo, tendo o papa pedido às conferências episcopais de todo o mundo que ouçam as vítimas dos seus países antes do evento.

Numa carta enviada a todas as conferências episcopais, a organização da cimeira apela a todos os participantes para "seguir o exemplo do papa Francisco e encontrarem-se pessoalmente com as vítimas de abusos antes da cimeira em Roma".

A comunicação também contém um questionário em anexo que deve ser preenchido antes de 15 de janeiro e que pode fornecer "uma ferramenta para todos os participantes na reunião de fevereiro para expressar as suas opiniões de maneira construtiva e crítica à medida que avançam na identificação onde a ajuda é necessária para realizar reformas.

O comité organizador da cimeira pede a todos que assumam o desafio que a Igreja tem de unir "em solidariedade, humildade e penitência para reparar os danos causados, compartilhando um compromisso comum com a transparência e responsabilizando a todos na Igreja".

Segundo uma nota do Vaticano, "a reunião focará três temas principais: responsabilidade, assunção de responsabilidades e transparência, e os participantes trabalharão juntos para responder a este sério desafio".

Numa reunião sem precedentes, participarão, além dos representantes das 130 Conferências Episcopais, algumas vítimas de abusos por parte do clero, chefes das igrejas católicas do Oriente, responsáveis de dicastérios e representantes das uniões superiores generais tanto femininas como masculinas e membros da Comissão para a Proteção de Menores, entre outros.

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