Pandemia. Espanha e Inglaterra voltam a preocupar

Os dois países registam um aumento de novos casos. Alemanha obriga viajantes de regiões espanholas a cumprir quarentena e Inglaterra recua na abertura.

No dia em que mais um país, o Vietname, se juntou à lista cada vez maior de estados e territórios onde se registaram mortos de covid-19 - são agora 191 - ganham força os receios de que na Europa alguns dos países mais atingidos possam vir a ter uma segunda vaga.

Em Espanha há neste momento mais de 110 mil pessoas infetadas, entre as quais 3092 novos casos, dos quais 1525 nas últimas 24 horas. É um aumento de 296 casos em relação à véspera, e mantém uma tendência de aumento, disseram as autoridades.

Ao observar-se as notificações de novos casos por semana, há um claro aumento registado dez dias após a reabertura das fronteiras com Portugal. No dia 10 a contagem dos sete dias anteriores apontava para 2944 casos. Sete dias depois passou para 5695 e no dia 24 já estava em 10990. No dia 31 sobe para 14198.

Por regiões, Catalunha, Madrid e Aragão lideram os surtos de novos casos. Mas é na comunidade de Castela e Leão, em Íscar que as autoridades dizem haver um surto "descontrolado". Teve início num matadouro de aves e infectou, para já, 42 pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde espanhol, o total de infetados desde o início da pandemia do novo coronavírus ascende a 285.522 e o de mortes a 28.445, 12 deles nos últimos sete dias.

Com os novos casos, Espanha ultrapassa a barreira dos 50 casos por 100 mil habitantes, 57,46, o que coloca, ou vai colocar, o país na lista de países de risco. A Alemanha já tomou medidas. Nesta sexta-feira a agência alemã de controlo de doenças adicionou a Catalunha, Navarra e Aragão a uma lista de lugares considerados de "alto risco" para o novo coronavírus. Esta medida vem na sequência do aviso emitido terça-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que desaconselhava os alemães a deslocarem-se àquelas três regiões de Espanha.

Na prática, os viajantes que regressam das regiões do nordeste de Espanha têm de fazer uma quarentena de 14 dias e, a partir da próxima semana, são obrigados a fazer testes.

A Alemanha, com pouco mais de 8500 casos ativos, teme uma segunda onda do coronavírus. Desde dia 25 que o número de novos casos tem aumentado até quinta-feira, com 842 casos, tendo caído na sexta para 459.

Travão a fundo em Inglaterra

Londres, que retirou Espanha (e Portugal continental) da lista de destinos aéreos seguros, não é modelo de contenção do vírus, pelo que o governo britânico decidiu tomar medidas adicionais e retardar o regresso à normalidade.

O governo britânico decidiu adiar em pelo menos duas semanas a nova fase da flexibilização do confinamento, inicialmente prevista para sábado.

Foi o primeiro-ministro Boris Johnson quem anunciou esta reviravolta, tendo em conta as estatísticas. Depois de citar os números atuais de contágio, o líder conservador afirmou que é altura de "travar" para manter o vírus sob controlo.

Salas de espectáculos, casinos, pistas de bowling e parques de skate deveriam reabrir no sábado e festas de casamento com mais de 30 pessoas também voltariam a ser permitidas.

O uso de máscara, até agora aplicada aos estabelecimentos comerciais, será ampliada a partir de dia 8 a outros locais fechados, como museus, cinemas e locais de culto.

"Sei que as medidas que tomamos serão realmente um duro golpe para todos aqueles cujos planos de casamento foram prejudicados ou que não podem celebrar agora [a festa muçulmana do] Aid como gostariam", declarou Johnson. "E eu sinto muito, mas simplesmente não podemos arriscar", disse.

Oficialmente, o Reino Unido é o terceiro país com maior número de mortes de covid-19, a seguir aos Estados Unidos e Brasil, tendo o número total no Reino Unido aumentou para 46.119 ao serem registadas mais 120 nas últimas 24 horas.

A tendência é também de de aumento do número de casos de infeção, ao serem diagnosticados 880 nas últimas 24 horas, o maior valor diário nas últimas semanas, aumentando o total registado até agora para 303.181 casos.

Segundo o instituto de estatísticas britânico, entre 20 e 26 de julho, o país registou 0,78 novas infeções de covid-19 em cada 10 mil habitantes, ou seja, quase 4.200 novos contágios diários. Isto representa um aumento na comparação com os 2.800 novos casos calculados por dia na semana anterior.

"O que vemos a partir dos dados é que provavelmente alcançámos os limites do que podemos fazer em termos de abertura da sociedade", declarou, ao lado de Johnson, o epidemiologista e consultor médico chefe do governo, Chris Whitty.

Além das medidas anunciadas, outras serão aplicadas em específico nalgumas áreas da região norte da Inglaterra a partir desta sexta-feira.

Os habitantes da Grande Manchester, de algumas partes de Lancashire e de Yorkhsire estão proibidos de receber outras pessoas nas suas casas ou jardins e só uma pessoa por casa pode frequentar ao mesmo tempo um bar ou pub.

A Itália, o primeiro país europeu a sofrer com o impacto do coronavírus, reportou em dois dias seguidos mais de 300 novos casos, 382 na quinta e 379 na sexta-feira, algo que não acontecia desde 17 e 18 de junho. Morreram nove pessoas nas últimas 24 horas, totalizando agora 35.141 óbitos.

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