Palestinianos e Erdogan reagem contra plano de anexação de colonatos

A sugestão de Netanyahu de que irá anexar os colonatos judaicos na Cisjordânia se for reeleito levou a que o presidente turco e os palestinianos reagissem. "Fim de qualquer possibilidade de paz", diz a OLP.

As declarações do primeiro-ministro israelita e concorrente às eleições de terça-feira, de que irá anexar partes da Cisjordânia se for reeleito, fizeram soar os alarmes quer na oposição do seu país, quer na região. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse que esta seria outra medida de ocupação por Israel​​​​ e​​​ que a Cisjordânia pertence "sem dúvida" aos palestinianos.

Os palestinianos que lutam pelo reconhecimento internacional da condição do Estado que junta a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental disseram que as observações de Netanyahu são uma violação do direito internacional sobre o território ocupado.
"A declaração não vem apenas no calor da campanha eleitoral", comentou Hanan Ashrawi, funcionário da Organização para Libertação da Palestina. "Este é o fim de qualquer possibilidade de paz". Um porta-voz do Hamas, o grupo militante islamista que governa a Faixa de Gaza, disse que "a resposta aos crimes e tolices será encontrada pela resistência popular, resistência armada e por toda a nossa força".

Saeb Erekat, ex-negociador palestiniano, responsabiliza a comunidade internacional, em especial a administração Trump. "Israel continuará a violar descaradamente a lei internacional enquanto a comunidade internacional continuar a recompensar Israel impunemente, particularmente com o apoio da administração Trump e o endosso da violação dos direitos humanos e nacionais do povo palestiniano em Israel", comentou em comunicado.

Os colonatos cobrem cerca de 10% do território da Cisjordânia e são uma das questões mais controversas e que têm impedido as negociações de paz, congeladas desde 2014.

Uma anexação israelita de grandes partes da Cisjordânia pode acabar com qualquer esperança de um acordo entre israelitas e palestinianos sobre os termos de um Estado palestiniano nas terras que estão nas mãos de Israel desde 1967. A chamada solução de dois Estados tem sido a opção preferida da maioria da comunidade internacional.

Após décadas de construção de colonatos, mais de 400 mil israelitas vivem naquele território, segundo dados de Telavive. Na Cisjordânia vivem cerca de 2,9 milhões de palestinianos, de acordo com o Departamento de Estatística Palestiniano.

Há ainda mais de 200 mil colonos israelitas em Jerusalém Oriental, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

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