Pacote radioativo passa 12 dias no aeroporto sem ser detetado

O pacote foi transportado até Bruxelas por via aérea no porão de dois voos regulares, estando em contacto com os passageiros

Um pacote de irídio que excedia os limites de radiação viajou por via aérea, em dois voos regulares, do Cairo para Zurique e em seguida para Bruxelas, ficando 12 dias no aeroporto desta cidade sem ter sido detetado.

Em declarações à agencia noticiosa Efe, a porta-voz da Agência Federal de Controlo Nuclear belga (AFCN), confirmou que não há risco de contaminação para os passageiros dos voos em questão, não sendo necessário que os mesmos tomem qualquer medida, ainda que a Agência esteja a concluir as análises ao material encontrado.

O pacote continha irídio 192, já usado, sendo este um elemento emissor de raios gama, geralmente utilizado em radioterapia e radiografia industrial para a deteção de defeitos em componentes metálicos, no entanto não se sabe qual a finalidade da quantidade encontrada. O pacote viajou de Cairo para Zurique e em seguida para Bruxelas, a 13 de julho, no porão de dois aviões comerciais, ficando armazenado no aeroporto belga durante 12 dias até ser reclamado pela empresa destinatária.

Foi a mesma empresa, especialista na produção de fontes radioativas para uso industrial, que deu o alerta após verificar que o nível de radiação no exterior do pacote era superior ao máximo permitido. Advertidos pela empresa, os inspetores da AFCN descobriram que o remetente não tinha verificado o nível de radiação nem colocado o material em um primeiro contentor de modo a evitá-la.

Ainda que o material tenha estado isolado no armazém, o mesmo não aconteceu durante o voo, sendo que os passageiros podem ter tido uma exposição entre os 3,1 e os 6,6 milisievert ( unidade de medida de radiação)

"Uma exposição única como a sofrida neste incidente não representa um aumento significativo de risco para a saúde", afirma a AFCN, exemplificando que numa radiografia ao abdómen a exposição é de 8 milisievert.

Os Ministérios dos Assuntos Exteriores da Bélgica e da Suíça estão a investigar o incidente, classificado como nível 2 num máximo de 7 na escala de incidentes nucleares, de modo a esclarecer o acontecimento e avisar os passageiros que possam ter estado expostos à radiação.

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